Rio, 09 (AE) - A juíza aposentada Valdeci Lopes Pinheiro, de 48 anos, ex-titular da comarca de Miracema, teve seu nome apresentado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico como envolvida no crime organizado no Noroeste do Estado do Rio. Ela está sendo investigada pela Polícia Federal desde julho e é suspeita de ter ligações com os irmãos Arnaldo e Antonio Jorge Gonçalves dos Santos, que controlariam a venda de drogas na região e em Niterói.
Contra a juíza há ainda um procedimento administrativo em análise no àrgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, encaminhado pelo Conselho da Magistratura. Ela é acusada de, entre outras coisas, apresentar-se embriagada em público, abuso de autoridade e de nomear para comissário de menores e oficial de Justiça pessoas com antecedentes criminais. O Ministério Público Estadual apresentou denúncia contra Valdeci
ainda não avaliada pelo àrgão Especial.
A juíza não foi localizada pela reportagem. A aposentadoria de Valdeci saiu publicada no Diário Oficial de 24 de setembro e ela já não estava mais em Miracema, mas no município vizinho de Cordeiro. Na verdade, o nome da juíza não surgiu agora. Em 1994, o relatório final da CPI da Previdência, realizada pela Assembléia Legislativa, já apontava Valdeci como envolvida em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na época, ela ainda não era juíza, mas já servidora da Justiça.
Segundo a deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ), relatora da CPI, Valdeci recebeu US$ 133 mil do advogado Wilson Ferreira - que, com seu tio, o advogado Ilson Escóssia da Veiga e o procurador Élio Ribeiro de Souza, fazia parte da quadrilha condenada por golpes contra o INSS. O dinheiro foi depositado por Valdeci na empresa que tinha com o marido. "Apesar das denúncias da CPI, que foram enviadas ao Tribunal de Justiça, ela foi nomeada juíza de Miracema", disse Cidinha.

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