Juíza é morta durante emboscada em Niterói
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Cirilo Junior <br> Folhapress 
Rio de Janeiro - Uma juíza da 4 Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, foi morta a tiros anteontem à noite, no bairro Piratininga, em Niterói, também na região metropolitana. Segundo a polícia, a juíza Patrícia Lourival Acioli foi morta no momento em que chegava em sua casa. Testemunhas disseram que os criminosos estavam em dois veículos e duas motos quando dispararam contra a juíza, que estava dentro do seu carro.
De acordo com o delegado Felipe Ettore, responsável pela investigação do assassinato, Acioli foi morta com 21 disparos por um procedimento de emboscada. ''A vítima foi executada em emboscada e alvejada 21 vezes'', disse Ettore, na Delegacia de Homicídios da Barra, na zona oeste do Rio. Segundo a polícia, as imagens flagraram o momento em que os criminosos fugiam após o crime. Eles ainda não tinham sido identificados até o final da tarde de ontem.
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) afirmou que Patrícia integrava uma ''lista negra'' com o nome de 12 pessoas que estavam marcadas para morrer. A lista foi encontrada com um suposto traficante preso no Espírito Santo. De acordo com a entidade, Patrícia é ''mártir da magistratura no combate ao crime organizado''. A nota ainda diz que o carro da juíza já havia sido metralhado anteriormente e ''mesmo assim não tinha qualquer segurança a sua disposição''.
De acordo com o presidente da Associação dos Magistrados do Rio, Antônio Siqueira, a juíza dispensou, em 2007, a segurança oferecida pelo Tribunal de Justiça aos juízes ameaçados - ela recebia escolta desde 2002. Ele disse que, na época, ela explicou que seu companheiro era policial e que ele se encarregaria de sua segurança.
Parentes da juíza, porém, contestaram a versão de Siqueira. Segundo os familiares, Patrícia continuava recebendo ameaças e as relatava por meio de ofício ao TJ do Rio.
''Ela tinha solicitado escolta e o pedido tinha sido negado. Houve negligência na segurança dela'', afirmou a médica Mônica Lourival, prima da juíza. Outro parente bastante próximo de Patrícia que não quis se identificar disse desconhecer a informação de que a juíza havia dispensado a segurança particular.
Patrícia Acioli foi enterrada no fim da tarde de ontem, no cemitério do Maruí, em Niterói. Cerca de 300 pessoas acompanharam a cerimônia. Após o enterro, o cabo da PM Marcelo Poubel, que era namorado da juíza, foi levado por policiais da Corregedoria da Polícia Militar para prestar depoimento. O teor do interrogatório não foi revelado pelo corregedor Ronaldo Manezes.


