Brasília, 10 (AE) - A juíza aposentada Anna Britto da Rocha Acker, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio, e o ex-funcionário Moisés Szmer acusaram hoje, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado, o ex-presidente do TRT José Maria de Mello Porto de cometer inúmeras irregularidades administrativas nos dois anos em que ocupou o cargo.
Szmer chorou, ao contar aos senadores a perseguição que sofreu do juiz. De acordo com a juíza, Porto só foi eleito presidente porque era primo do então presidente Fernando Collor de Mello, para quem trabalhou na campanha, apesar da proibição de os magistrados exercer atividades políticas.
Segundo ela, Porto fracionou sindicatos para aumentar o números de juízes classistas, empossou um magistrado que teve a nota do concurso alterada e indicou a uma vaga no tribunal um juiz do Amazonas, ignorando as listas de nomeações. "Ele (Porto) agia independentemente da lei, da Procuradoria, de tudo", afirmou. "Era ousado, não tinha limites." O ex-servidor contou aos senadores ter sido alvo de inquérito administrativo que culminou na demissão dele por justa causa, mesmo depois de ter sido aposentado. Szmer disse que, quando diriga o Sindicato dos Trabalhadores na Justiça Federal, em 1992
durante uma panfletagem, envolveu-se em incidente com o juiz Carlos Henrique Saraiva.
O episódio resultou num processo adminstrativo que foi arquivado por Porto, mas ele próprio o reabriu e concluiu pela cassação da aposentadoria e a demissão por justa causa do servidor. Szmer disse aos senadores que existem 47 ações na Justiça Federal do Rio em que Porto está envolvido, como réu ou autor.

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