Juíza é acusada por promotor de Justiça de vender sentenças
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segunda-feira, 20 de setembro de 1999
Por Carlos Mendes (especial para a AE) 
Tucuruí, PA, 21 (AE) - A juíza Maria Vanda Valente, de Tucuruí, no Sudeste do Pará, está sendo acusada pelo promotor de Justiça, Mauro Mendes de Almeida, de "vender sentenças" e ter ligação com poderosos e traficantes da região.
Almeida contou que o integrante de uma quadrilha de assaltantes de banco, Carlos Humberto Adami, ganhou um alvará de soltura da juíza, mesmo depois de ter sido preso em flagrante. A Polícia Civil não liberou Adami e o transferiu de Tucuruí para Belém.
Segundo o promotor, a juíza ficou indignada, pegou um avião no dia 15 e foi para Belém soltar Adami, "na calada da noite". Ele denunciou ainda que Maria Vanda apreendeu um carro roubado e o entregou a um oficial de Justiça, que circula com o automóvel pelas ruas de Tucuruí.
Após a denúncia contra Maria Vanda, feita no gabinete do chefe da Polícia Civil no Pará, João Moraes, o promotor pediu garantias de vida, afirmando estar sendo ameaçado de morte. Ele disse que iria mandar uma dossiê contra a juíza à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado, em Brasília.
"Toda vez que eu dou algum despacho que contraria seus interesses, esse promotor começa a falar mal de mim", reagiu a juíza. Ela disse que mandou soltar Adami porque ele estava sendo "torturado na delegacia". A juíza também acusa Almeida de receber propina. Ela arrematou: "Ele já deveria ter sido afastado do Ministério Público (MP)."


