Anhembi, SP, 03 (AE) - A juíza de Conchas (SP), Lígia Cristina Berardi Possas, ordenou o despejo das 1,2 mil famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que desde o último dia 23 estão acampadas próximo do centro de Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo. A liminar foi concedida hoje, em ação de reintegração de posse movida pela prefeitura local. A ordem da juíza foi para desocupação imediata das áreas invadidas na cidade. Um oficial de Justiça foi para Anhembi, à tarde, para intimar os líderes dos acampados, João Paulo Rodrigues, Manuel de Oliveira e Antônio Guimarães. Até o começo da noite, o oficial aguardava a chegada de Rodrigues, que não estava no acampamento.
Em assembléia realizada no dia anterior, os sem-terra decidiram que só sairiam da cidade se fosse destinada outra área para o acampamento. Pela manhã, antes de ter a confirmação da liminar, Rodrigues afirmara que, em caso de despejo, o grupo acamparia na frente da prefeitura. A proposta de invasão do prédio chegou a ser discutida em assembléia como forma de forçar uma solução. "Não vamos sair daqui sem ter para onde ir", disse. Preocupado, o prefeito Geraldo Conceição Cunha (PSDB) pediu reforço do policiamento. O comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar de Botucatu, major João Francisco Antunes, mobilizou 60 soldados da Cavalaria para proteger a cidade. Os policiais estão aquartelados em uma creche municipal, que desde a chegada dos sem-terra não está funcionando.
Segundo o advogado Antônio Venâncio Martins Neto, a prefeitura não negociará prazo para a desocupação. "A cidade está parada e os 3,5 mil moradores da área urbana estão tendo prejuízos irreparáveis", afirmou. Ele disse que está havendo um aumento desordenado no número de acampados. "Eles mantém atitudes de confronto". Itesp - Hoje, havia ainda a expectativa de que fosse encontrada uma área para abrigar provisoriamente os sem-terra, evitando o despejo pela força policial. O terreno pertence à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e fica no município de Conchas, vizinho de Anhembi. Segundo o prefeito Cunha, a área já foi vistoriada por técnicos do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) e seria submetida à avaliação do MST.

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