Londrina - A 6ª Vara Criminal de Londrina (Maria da Penha) espera que a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) cumpra a promessa de garantir a continuidade do projeto Caminhos, pioneiro no Paraná. Iniciado em fevereiro do ano passado, o programa atende homens agressores enquadrados na Lei Maria da Penha, mas está suspenso desde o último dia 17, por falta de recursos. Em um ano, o projeto promoveu atividades multidisciplinares com cerca de 150 agressores condenados a cumprir pena em regime semiaberto ou submetidos a medidas protetivas. Eram sessões semanais de estudos reflexivos e de responsabilização ministradas em grupos de até 14 pessoas no Fórum de Londrina, por uma equipe formada por psicólogos, advogados e assistentes sociais.
O projeto está suspenso porque o convênio com o Ministério da Justiça, responsável por seu financiamento, tinha duração de um ano. O objetivo era que o programa servisse como fomento para que nos anos seguintes os governos estaduais e municipais garantissem sua continuidade. A Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) atuou como gestora nesse primeiro ano e teria se comprometido a assumir o projeto, mas ainda não abriu um chamamento público para contratar uma nova equipe. Por isso, a juíza da 6ª Vara Criminal, Zilda Romero, tem feito um verdadeiro corpo a corpo com a secretária Maria Tereza Uille Gomes para evitar que o projeto se perca pelo caminho.
"Estou com a promessa da Secretaria da Justiça para que assuma o projeto, por isso tenho conversado nesse sentido com a secretária. Já estamos com todos os equipamento comprados, agora é fácil dar essa continuidade. Não podemos perder toda essa experiência que adquirimos durante esse primeiro ano em que o programa funcionou", afirma a juíza.

Ineditismo
Ela é uma das maiores entusiastas do Caminhos por seu ineditismo em atender os agressores de mulheres vítimas de violência doméstica. "Como temos vários programas que trabalham com vítimas da agressão, nós achamos também muito importante trabalharmos com o homem agressor, porque precisamos quebrar esse estigma da violência", defende. "Se o projeto não for retomado, será uma perda muito grande, porque inclusive está na Lei Maria da Penha que precisa haver um trabalho de educação e responsabilização com os homens agressores, é um período de reeducação para que eles não voltem a praticar a violência", acentua.
Atualmente, 80 homens agressores que sofreram pena condenatória ou foram submetidos a medidas protetivas aguardam sua inserção no projeto. A coordenadora do programa, psicóloga Renata Maciel de Freitas, destaca a eficiência das ações multidisciplinares desenvolvidas com os homens agressores. "A gente percebe uma mudança no discurso deles. Um espaço de identificação ajuda muito no entendimento daquilo que cometeram", observa. Segundo ela, dos 150 agressores que participaram do programa, apenas um voltou a ser reincidente. A FOLHA tentou contato com a Secretaria de Justiça, mas não obteve retorno.

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