Juíza decreta prisão temporária de 6 líderes sem-terra
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 23 (AE) - A juíza Cíntia Damásio Pereira, da Comarca de Panorama (SP), decretou, ontem à tarde, a prisão temporária de seis líderes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), acusados de comandar a invasão da Fazenda São Jorge, naquele município, na semana passada. Os líderes foram identificados como sendo Ademir Navarro, responsável pelo acampamento que o Mast mantém em Panorama e os coordenadores Manoel Ailton Barroso, Rafael Nunes, Izair Leite de Andrade, Cláudio Leôncio de Lima e Wilson Barbosa. Até o final da tarde de hoje, nenhum deles havia sido preso.
O pedido de prisão foi feito pelo delegado Mauro Tioda, da Delegacia de Investigações Gerais (Dig) de Dracena, que atendeu pedido de instauração de inquérito policial feito pelo advogado Joaquim Boti, que representa a União Democrática Ruralista (UDR) do Pontal do Paranapanema e teve a concordância do promotor Antônio Cimini Júnior, substituto em Panorama. A UDR acusa os sem-terra de formação de quadrilha e esbulho possessório. O delegado de Dracena avocou o processo porque também está investigando denúncias de roubo e abate de gado, envolvendo os invasores.
A decretação das prisões foi confirmada pelo promotor Cinimi, que admitiu estar preocupado com o crescente clima de tensão envolvendo sem-terra e fazendeiros na região. Segundo ele
o acampamento que o Mast mantém na estrada vicinal que liga Panorama a Presidente Epitácio, onde está a fazenda invadida, já conta com mais de 900 barracos e a tendência é de que cresça ainda mais.
De acordo com o promotor, os acampados têm radicalizado suas posições durante as invasões, usando pedaços de pau, ferro e foices para intimidar os empregados. No caso da fazenda invadida, a mesma juíza concedeu mandado de manutenção de posse que já foi cumprido, tendo os invasores retornado ao acampamento. Mast - O presidente do Mast, Lino de Macedo, disse ter sido informado hoje de manhã da decretação das prisões e garantiu que os líderes procurados já haviam deixado a região. O Mast pretende colocar um advogado para tentar revogar a medida judicial. Hoje à tarde, uma força das Polícias Civil e Militar pretendia se deslocar até o acampamento para tentar fazer as prisões.


