Juíza de Ortigueira liberta cinco líderes sem terra
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Agência Estado Ortigueira 
A juíza de Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), Heloísa Gomes Gonçalves, concedeu anteontem liberdade provisória para cinco líderes dos sem-terra presos durante desocupação da Fazenda Caraguatá, na madrugada do último dia 17. A fazenda, com 1.597 hectares, pertence a Alceu e Marcelo Pilatti, e estava ocupada por 35 famílias. A desocupação foi feita pela Polícia Militar. Os cinco líderes tinham sido presos sob acusação de desobediência a ordem judicial, resistência a prisão e formação de quadrilha.
Segundo a juíza, sua decisão foi baseada em um parecer do Ministério Público, que entendeu não haver crime de desobediência e formação de quadrilha. A prisão preventiva foi relaxada sem pagamento de fiança. O único compromisso dos sem-terra Jorge Lemes da Costa, José de Jesus Moraes, Aparecido Fernandes dos Santos, João Pereira de Souza e Antônio Rodolfo Augusto é comparecer a todos os atos do processo.
O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais SemTerra (MST), Roberto Baggio, disse que a libertação dos presos é uma garantia que a Constituição assegura. É uma questão de justiça e não moeda de troca, afirmou. Segundo ele, os sem-terra continuarão pressionando para que a reforma agrária seja realizada.
Ainda existem 19 sem-terra presos no Estado, incluindo-se os quatro detidos pelos conflitos na Fazenda Cordilheira, em Jundiaí do Sul, cuja autoria não é assumida pelo MST. Outros três estão com prisão preventiva decretada.


