Matão, SP, 21 (AE) - A juíza da 1.ª Vara do Fórum de Matão, no interior de São Paulo, Sílvia Elena Gigena de Siqueira
requisitou a medição da extensão da área ocupada pelos sem-terra na Fazenda Chimbó. A ação de reintegração de posse foi apresentada no fim da tarde de ontem (20) ao Cartório do 1.º Ofício pela Usina Bonfim, arrendatária da fazenda, por meio do advogado da empresa, Antônio Fibra Donato.
A determinação judicial foi encaminhada a técnicos do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRM), órgão subordinado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente. A juíza disse hoje que pediu brevidade aos técnicos no sentido de que o laudo seja apresentado até amanhã (22). A juíza quer saber o porcentual ocupado pelos sem-terra em relação à área total da fazenda e a apuração de possíveis danos ambientais causados pela invasão. A decisão sobre o pedido de reintegração será tomada com calma nos próximos dias, após a entrega do laudo pelo DEPRM, disse a juíza.
No acampamento, o coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, disse desconhecer o pedido de reintegração. "As coisas estão tranquilas por aqui e mais famílias continuam chegando", disse Rodrigues. O acampamento recebeu o nome de D. Helder Câmara, em homenagem ao ex-arcebispo de Recife e Olinda, que morreu há dois meses.
O comandante da 4.ª Companhia da Polícia Militar de Matão, tenente Bertolo, ao tomar conhecimento extra-oficial do pedido de reintegração da Chimbó, esteve no acampamento "na tentativa de abrir um diálogo com os sem-terra". "Foi solicitada a presença do responsável, mas ninguém apareceu para conversar", informou o soldado Ramos.
O comando da 4.ª Companhia é responsável pela área que envolve Matão, Dobrada e Santa Ernestina, região onde está localizada a Fazenda Chimbó. No caso de decisão favorável à reintegração, a PM de Matão deve pedir reforço ao 13.º Batalhão, com sede em Araraquara, para que envie policiamento especializado nesse tipo de ação. "Esperamos que haja uma solução pacífica, sem confronto", disse o soldado. Existe também uma preocupação com a proximidade do Natal, e o cumprimento de uma ação de despejo às vésperas da data seria indesejada. O advogado da Usina Bonfim não foi encontrado hoje para falar sobre o assunto.

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