Juíza convoca comandante da PM para discutir acordo adiando despejo de fazenda em Porto Feliz
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Porto Feliz, SP, 11 (AE) - A juíza substituta de Porto Feliz, interior de São Paulo, Daniela Botoliero Ventrice, convocou hoje o comandante do 40º Batalhão da Polícia Militar, tenente- coronel Salvador Mauro Romano, para resolver o impasse criado pelo acordo feito ontem (10) com os sem-terra que, desde domingo, ocupam a Fazenda Engenho Dágua, naquele município. Apesar da liminar dada pela juíza para o despejo das famílias, Romano fez um acordo com as lideranças do acampamento dando prazo até o dia 23 a saída voluntária das terras. O comandante e a juíza continuavam reunidos no final da tarde de hoje, no Fórum de Porto Feliz.
Segundo o advogado do Grupo União São Paulo, proprietário da fazenda, Douglas Monteiro, ele tivera audiência com a juíza horas antes e recebera a garantia de que a liminar de despejo seria cumprida o mais rápido possível. O advogado quer evitar que ocorra em Porto Feliz o mesmo impasse da Fazenda Rio Verde, de Itararé, invadida pelos sem-terra em setembro do ano passado. Apesar de a Justiça ter concedido liminar, os sem-terra mantiveram-se na fazenda por 23 dias, sem que a Polícia Militar tivesse conseguido efetuar o despejo. As tropas foram até o local, mas recuaram, temendo um conflito. Os sem-terra continuam acampados na estrada que corta a fazenda.
Hoje, na Engenho Dágua, vários ônibus chegaram no acampamento, engrossando o número de ocupantes. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra (MST), já são cerca de duas mil famílias na área. Para a Polícia Militar, no entanto, esse número é o total de pessoas alojadas no acampamento.


