Juíza começa a ouvir envolvidos na Operação Tentáculos
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quarta-feira, 21 de setembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba A juíza Suzana Massaro Hirama Loreto de Oliveira, da 1 Vara Criminal de Curitiba, começou a ouvir ontem os depoimentos de todos os supostos envolvidos em homicídios, tráfico de drogas, roubo e receptação de veículos investigados durante a Operação Tentáculos. Ao todo, 34 pessoas foram presas entre policiais militares, ex-policiais, policiais civis, empresários e supostos traficantes. Por causa do número de depoentes, as audiências foram divididas em três dias. Os primeiros depoimentos foram marcados para ontem. Um forte esquema de segurança foi montado no Fórum Criminal para impedir que jornalistas entrassem no prédio.
O processo corre em segredo de Justiça. As investigações que culminaram nas prisões dos supostos envolvidos começaram com a execução do então major Pedro Plocharski (promovido a tenente-coronel após sua morte). O oficial era comandante interino do 13º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e teria sido morto para evitar que a rede de criminalidade envolvendo policiais e traficantes fosse descoberta. Os índicios demonstram que policiais na ativa e expulsos da corporação teriam sido contratados para executar o major. Mas os mandantes do crime não tiveram os nomes divulgados no período de inquérito.
Há a suposição de que traficantes da Vila Nossa Senhora da Luz tenham encomendado a execução. Entretanto, não é descartada a possibilidade de que oficiais do 13º BPM tivessem planejado a morte do major considerado como de linha dura e conhecido por não tolerar desvios de conduta.
O processo foi marcado por confusões judiciais. O juiz Carlos Augusto Altheia de Mello foi o primeiro a ser designado para avaliar a denúncia formulada pelo Ministério Público (MP) estadual. Ele foi afastado do caso coincidentemente após conceder habeas-corpus para alguns dos presos durante a ação policial. A promotora Gislaine de Abreu Stadler é a responsável pela acusação. Até ontem, havia a expectativa de que o advogado criminalista Peter Amaro de Sousa se apresentasse à Justiça Criminal. Entretanto, ele não compareceu ao primeiro dia de audiências. Sousa está foragido há 98 dias. Outra pessoa identificada apenas como Sky (suposto traficante e que tem tido seu nome mantido sob sigilo) também está foragida.


