Brasília, 24 (AE) - A juíza baiana Eliana Calmon Alves, de 54 anos, foi indicada hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Separada há dez anos, ela confirma que a candidatura teve o apoio político de vários senadores, dentre os quais o presidente do Congresso e conterrâneo, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA).
Com isso, pela primeira vez na história jurídica do País
uma mulher pode passar a integrar o STJ. A juíza do Tribunal Regional Federal (TRT) da 1ª Região, com sede em Brasília, disse que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Judiciário no Senado "tem legitimidade na medida em que a população está aplaudindo". Segundo ela, "a grande virtude é funcionar como alavanca para uma reforma mais profunda".
Eliana mostrou-se favorável a um investimento do Judiciário nos novos juízes, que podem ingressar na carreira com 22 anos de idade. De acordo com ela, alguns "meninos" não têm nenhum preparo. A juíza também se disse preocupada com a politização do Judiciário. Segundo ela, os juízes não podem se engajar em política.
A Assessoria de Imprensa do STJ informou hoje que o presidente da corte, Antônio de Pádua Ribeiro, antecipou-se à indicação e inaugurou, em 1998, a sala das becas feminina, para melhor acomodar as futuras ministras do tribunal.
A indicação por Fernando Henrique não garante a Eliana a vaga no STJ. Provavelmente na quinta-feira (27), ela será sabatinada no Senado. Tradicionalmente, essas sabatinas são apenas protocolares.
Mas nessa, há um fator novo que pode aumentar o interesse dos senadores, a CPI do Judiciário. Além de Eliana, devem ser sabatinados os outros dois indicados para o STJ: os juízes federais Jorge Tadeo Flaquer Scartezzini, de São Paulo, e Francisco Cândido de Melo Falcão Neto, de Pernambuco.

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