Rio, 03 (AE) - A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Criminal Federal do Rio, autorizou hoje a abertura de quatro envelopes lacrados apreendidos na casa do dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola. As correspondências serão abertas na própria Vara, onde estão guardadas, na próxima sexta-feira (07), às 14 horas, na presença de representantes do Ministério Público Federal e de advogados de envolvidos no caso que queiram comparecer. A imprensa não terá acesso ao local.
Ao contrário do que chegou a ser divulgado, no apartamento do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes não foram encontrados documentos lacrados, segundo informou a Justiça Federal. Os apreendidos na casa de Cacciola, no entanto, não podiam ser abertos sem autorização judicial, em função do sigilo postal. O pedido de quebra do sigilo foi feito pelo Ministério Público Federal. Quando estiveram na 6ª Vara, há duas semanas, para selecionar os documentos que levariam para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, os senadores João Alberto Souza (PMDB-MA) e Saturnino Braga (PSB-RJ) também pediram à juíza que autorizasse a abertura dos envelopes.
No auto de apreensão na casa de Cacciola, constam, na verdade, cinco envelopes lacrados, mas um deles, da Real Providência, em nome de Adriana Alves de Oliveira, mulher do banqueiro, não foi considerado importante pela juíza e será devolvido. Serão abertos os seguintes envelopes: com o logotipo Marka/Nikko, endereçado a Adriana; com o logotipo Marka e a inscrição "Importante ação DDA - Distrato R. Moysés 2 vias originais"; com o logotipo Marka e a inscrição manuscrita "pai" e com o logotipo Artplan Publicidade e a inscrição Alberto Cacciola - Leonel - Favor só abrir em caso de necessidade".
Há dez dias, o advogado de Cacciola, José Carlos Fragoso, esteve na Vara e pediu à juíza a devolução deste último envelope. Segundo ele, os documentos que estavam ali dentro não tinham relação com o caso e poderiam prejudicar outras pessoas. Ana Paula não atendeu ao pedido do advogado, mas, ainda na versão de Fragoso, teria dito que, se realmente o conteúdo não se relacionasse ao inquérito, não seria divulgado.
Hoje, a reportagem tentou falar com Fragoso, mas, até o final da tarde, ele não havia retornado as ligações.

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