Juíza alega "questão de foro íntimo" e recusa presidir julgamento do processo de Carajás
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 05 (AE) - O Tribunal de Justiça do Pará tem mais um problema a resolver para retomar o julgamento dos policiais militares envolvidos na morte de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás: a recusa sistemática de seus juízes em presidir o julgamento. Hoje, a juíza Edinéa Tavares, indicada pela maioria dos desembargadores para substituir o ex-presidente do júri, Ronaldo Valle, desistiu da missão, alegando "questão de foro íntimo". Ela formalizou sua renúncia em carta enviada ao presidente do TJ, desembargador José Alberto Soares Maia.
Agora, o Tribunal vai convocar o juiz Cláudio Augusto Montalvão das Neves, da 2ª Vara Criminal de Belém, para que ele comande o julgamento dos militares. "Vou me pronunciar nos autos sobre a pretensão do Tribunal", disse Neves, hoje à noite. A informação, não confirmada nem desmentida pelo juiz à reportagem, é de que ele estaria inclinado a recusar a presidência do júri.
Na próxima terça-feira (11), o TJ julga o recurso do Ministério Público Estadual, que pede a anulação do primeiro julgamento no qual o coronel Mário Pantoja, o major José Maria Oliveira e o capitão Raimundo Lameira, comandantes da operação que resultou na morte dos 19 sem-terra, foram absolvidos, por falta de provas, em agosto do ano passado.


