São Paulo, 14 (AE) - A juíza Terezinha Nunes Moura, da 2ª Vara da Comarca de Soure (PA), vai iniciar um processo criminal contra os fazendeiros Leandro Tocantins Penna Júnior, de 54 anos, e Geraldo Tocantins Penna, de 45 anos. Eles são acusados pelo Ministério Público do Pará de abusar sexualmente de dez adolescentes que trabalhavam na Fazenda Jilva, no Marajó.
A primeira denúncia contra os irmãos foi feita em 1996, mas, na ocasião, o Tribunal de Justiça do Estado suspendeu o processo e determinou a abertura de inquérito. Leandro e Geraldo deveriam ser interrogados amanhã (15) pela primeira vez. Hoje à tarde, o promotor Eliezer Monteiro Lopes, de Soure, informou que o depoimento havia sido adiado.
O advogado dos fazendeiros, Américo Leal, disse à AGÒNCIA ESTADO que eles serão ouvidos no dia 22, em Belém, onde residem. "Essas denúncias são infundadas", diz Leal.
O inquérito durou dois anos e virou um calhamaço de cinco volumes. Nele, os adolescentes declaravam-se vítimas de práticas sexuais que contavam com a participação de animais. Além disso, 18 adultos dizem ter sido assediados pelos fazendeiros.
A presidente do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, Celina Hamoy, afirma que Geraldo e Leandro contratavam filhos de empregados quando eles completavam 12 ou 13 anos. Para receber o pagamento, os meninos seriam submetidos a exame médico, feito pelos fazendeiros, que incluiria a manipulação dos órgãos genitais. Geraldo e Leandro não são médicos. LCDS, de 17 anos, diz ter sofrido abusos desde os 8 anos.
Leal diz que as denúncias foram inventadas pela mulher de um dos irmãos, insatisfeita com a partilha de bens. Segundo ele, os adolescentes aceitaram participar desse esquema por terem sido demitidos. A fazenda funciona como hotel e já recebeu dezenas de pessoas famosas.

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