Juiz suspende despejo por 15 dias
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2002
Carlos Mendes Especial para a AE 
Belém - O juiz substituto da 2ª Vara Cível de Ananindeua (PA), Paulo Roberto Vieira, determinou ontem pela manhã a suspensão, por duas semanas, do cumprimento da liminar de reintegração de posse da área ocupada há vários anos por 1.200 famílias. Os 80 hectares pertencem à empresária Sueli Abdelnor. Nessa área, anteontem, durante tentativa de desocupação, houve confronto entre 120 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar e 400 invasores. Sessenta e quatro pessoas ficaram feridas - 54 policiais militares e dez moradores do local.
Temos de esclarecer a real situação desse imóvel, disse o juiz, acrescentando que o julgamento do mérito será feito pelo juiz titular do caso, Raimundo das Chagas Filho, que deve retornar das férias no começo de março. Vieira explicou que sua decisão levou em conta a gravidade dos incidentes, que ele disse ter visto pela tevê.
A direção do Fórum Paraense pela Moradia criticou o juiz por conceder a liminar sem levar em conta o problema social das famílias da invasão, a maioria desempregados que não têm para onde ir. Se o juiz não tinha maiores informações sobre como vivem as famílias nem deveria ter autorizado o despejo, afirma a entidade. Prisões - No começo da tarde de ontem, a Polícia Civil anunciou que vai pedir a prisão preventiva de seis pessoas, cinco homens e uma mulher, acusadas de liderar os invasores no confronto com a tropa da PM. Eles foram ouvidos pela manhã na Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE), onde estão presos.
Um dos acusados é Samuel Machado Barros, conhecido por João de Deus, que é engenheiro florestal e um dos diretores da Comissão de Bairros de Belém e do Fórum Paraense pela Moradia. Segundo a polícia, ele já foi preso em outras ocasiões, durante manifestações pela posse da terra, e teria participado, há dois anos, do quebra-quebra no prédio da Secretaria de Segurança Pública do Pará.
Dos 54 militares feridos no episódio, apenas quatro continuam internados. O caso mais grave é o do soldado Eliclei Souza, que perdeu a visão em um olho depois de ser atingido por uma pedrada. Entre os sem-teto, o caso mais grave é o de Pedro Paulo Silva, que levou um tiro com bala de borracha no olho e também corre o risco de ficar cego.


