Juiz sofre atentado antes de ouvir fazendeiro sobre assassinatos
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 16 (AE) - O juiz de Xinguara, no sul do Pará, José Maria Teixeira do Rosário, denunciou ter sido vítima de um atentado na madrugada de ontem (15) - um desconhecido em uma motocicleta disparou dois tiros contra a parede de sua casa, ao lado do fórum. O juiz ouviria hoje o fazendeiro goiano Jerônimo Alves Amorim, acusado de ser o mandante de três assassinatos no município de Rio Maria, vizinho a Xinguara. Duas balas ficaram alojadas na parede, perto do quarto onde o juiz dormia. Um soldado da Polícia Militar e um vigilante do fórum viram um homem de motocicleta em alta velocidade. "Eu não me intimido. Quem fez isso será preso e processado", disse Teixeira, que preferiu evitar a ligação do atentado ao depoimento de Amorim. "Só digo uma coisa:esse processo será julgado em abril deste ano."
Audiência - A audiência do fazendeiro, uma pessoa apontada por entidades de direitos humanos do Pará e pelo Comitê Rio Maria Pela Vida como um homem "muito poderoso e de grande influência no município", foi cercada por medidas de segurança. Amorim saiu de Belém algemado e escoltado por agentes federais e foi hostilizado por mais de 400 pessoas, que pediam sua condenação em frente o fórum.
Ele negou ter mandado matar José Martins dos Santos e seu filho, Gilvan Santos, empregados de sua fazenda. Jerônimo Alves Amorim também á acusado pela morte do sindicalista de Rio Maria Expedito Ribeiro de Souza. O advogado Américo Leal, que também defende os oficiais da Polícia Militar envolvidos na morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, afirmou que vai absolver Amorim. "Só há provas na base do ouvi dizer ou ouvi isso contra o fazendeiro." Amorim está preso em Belém.


