Juiz rechaça solicitação de asilo político para Elián González
Miami, 21 (AE-AP) - Um juiz federal rechaçou nesta terça-feira (21) uma solicitação de asilo político apresentada em nome de Elián González, recusando assim bloquear as gestões do governo federal para repatriar o menino cubano.
A decisão do juiz federal de distrito K. Michael Moore foi emitido 12 dias depois de uma audiência na qual o magistrado escutou as alegações correspondentes à solicitação apresentada pelo tio avô de Elián, Lázaro González.
Em entrevista coletiva em frente ao tribunal federal, os advogados dos parentes de Elián disseram estar avaliando suas opções de recurso. A 11ª Corte Apelações de Atlanta, Geórgia, seria o tribunal encarregado de revisar a sentença do juiz da Flórida.
"Este processo trata de saber se um dia este garoto de seis anos terá direito de apresentar seu caso a um tribunal", disse o advogado Kendall Coffey. "Esse dia não chegou. Ainda temos a esperança de que no fim de tudo ele tenha seu dia na corte."
Um recurso seria baseado em uma cláusula da lei de asilo norte-americana que dá a todos os estrangeiros o direito de solicitar asilo, disse Coffey. E acrescentou: "Todo estrangeiro inclui Elián González."
"Agora me sinto muito chateada", disse Marisleysis González, prima de Elián. "Eu tenho fé."
Em Washington, a secretária de Justiça Janet Reno declarou que a decisão reafirma a posição do governo de que "só o pai de Elián pode falar em nome de seu filho em assuntos de imigração... É o momento de esta criança, que tanto sofreu, recuperar sua vida ao lado de seu pai".
"Eu entendo as fortes emoções que esse caso desperta, mas tenho toda a confiança de que a comunidade aceitará a decisão da corte e apoiará o processo de reunião entre Elián e seu pai", disse Reno, depois de conhecer a decisão de Moore e defender o imediato retorno de Elián à ilha.
Antes disto, a porta-voz do Departamento de Justiça, Carole Florman, disse que a decisão do juiz Moore está sendo revisada. "Depois disso, começaremos um processo ordenado para reunir Elián e seu pai."
A porta-voz recusou-se a comentar se o departamento fixou uma data para a devolução do garoto a seu pai, Juan Miguel González, que reside em Cuba. "Confiamos que será respeitado o direito de recurso desta família", disse Coffey.
Em Havana, as autoridades cubanas receberam com cautela a sentença do juiz da Flórida. "Devemos analisar com serenidade e calma essas notícias aparentemente positivas, mas sem nunca subestimar os obstáculos e as dificuldades que continuamos tendo dd superar para conseguir o retorno do garoto sequestrado a Cuba", dizia uma nota oficial do governo.
A nota alerta ainda para o risco do "otimismo exagerado" dos cubanos, ante a divulgação dos "aspectos encorajadores da decisão".
Sobrevivente de um naufrágio que causou a morte de sua mãe, do namorado dela e de outros nove cubanos que pretendiam chegar ilegalmente aos EUA, Elián foi resgatado na costa da Flórida em novembro, onde chegou boiando numa câmara-de-ar.
Transformado pelos grupos de anticastristas do Estado em um símbolo do exílio cubano-americano e da luta contra o comunismo, a imagem do garoto foi explorada em propagandas de tevê e anúncios de jornais e revistas.
O pai de Elián, garçom de um hotel no balneário turístico de Varadero, que vivia separado da mãe do garoto, pediu que ele fosse repatriado. Mas Cárdenas recusou-se a devolvê-lo a Cuba, alegando que era desejo da mãe dele que ele crescesse nos Estados Unidos.
O regime de Fidel Castro encampou a luta do pai de Elián, acusando as entidades anticastristas de terem sequestrado o garoto. Ao mesmo tempo, sindicatos e grêmios escolares cubanos convocaram manifestações que mobilizaram centenas de milhares de pessoas em todo o país.





