Curitiba - Os médicos ginecologistas Eldo Ern e Cristina Cerniak estão proibidos de praticar qualquer procedimento no Hospital e Maternidade Municipal São José dos Pinhais, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A decisão é do juiz Ivo Faccenda, da 2 Vara Cível de São José, que acatou o pedido ajuizado pelo Ministério Público. A liminar também exige um parecer oficial da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa) sobre o uso do medicamento Cytotec na indução de partos.
O hospital denunciou ao MP, no fim de agosto, que o casal de médicos estava praticando dupla cobrança. Muitas pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) foram pressionadas por eles a pagar a parte pelos procedimentos. No meio das investigações, o MP descobriu que uma enorme quantidade de Cytotec, um medicamento abortivo, havia sido solicitada por Ern e Cristina na farmácia do hospital. Segundo o MP, o casal adiantava os partos por meio de aplicação do remédio. Assim, todos os nascimentos aconteciam no plantão do casal, revertendo o pagamento para eles. Até agora, foram encontrados pelo menos 400 casos pelo MP, entre 2001 e 2003.
A auxiliar de serviços gerais Lucrécia Letícia Ramos Teixeira é um exemplo entre as tantas mães que só agora estão descobrindo a prática dos médicos. Ela está há um ano e sete meses, data de nascimento de seu filho, peregrinando pelos mais diversos médicos tratando de seu filho. Isso porque na hora do nascimento a criança teve sofrimento fetal e hoje tem como consequência paralisia cerebral. O nome de Lucrécia consta nas receitas do remédio abortivo receitadas pelos médicos ginecologistas. ''Fiquei o dia todo em trabalho de parto esperando a doutora Cristina me atender. No final da tarde, quando meu filho estava quase nascendo, chamei alguém para me ajudar, mas todos foram para outro parto'', conta.
E as consequências da demora no atendimento à Lucrécia duram até hoje. A criança começou a nascer sozinha, mas como Lucrécia não podia fazer força, já que não havia ninguém para segurar o bebê, faltou oxigenação a seu filho. Isso acarretou na paralisia cerebral. ''Meu filho faz constantes tratamentos e toma remédios diariamente. Além disso, seu diagnóstico está caminhando para a necessidade de uma cirurgia no crânio. Tudo que eu puder fazer para eles não clinicarem mais, eu vou fazer. Eles precisam ser punidos'', diz revoltada. Lucrécia já prestou depoimento ao MP.

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