Juiz pode suspender despejo hoje
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terça-feira, 14 de outubro de 1997
Agência Estado Rio 
Tasso Marcelo/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)EstratégiaAs armadilhas com arame farpado e bambus continuavam ontem a bloquear os acessos na Fazenda do SaltoO juiz da 1ª Vara Cível de Barra Mansa, Renato Cutim, deverá suspender hoje a ação de reintegração de posse da Fazenda do Salto, nessa cidade, no sul fluminense. Ele disse ontem que aguardava apenas a chegada de documento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirmando a liberação de recursos para a desapropriação da área de 770 hectares. Na noite de anteontem, um técnico do Incra mostrou a Cutim a cópia do documento enviada, por fax, pelo Ministério de Política Fundiária ao Incra. Cutim disse que não executará mais a ação de despejo das 64 famílias que ocupam a fazenda.
Ainda ontem, o comandante do 28º Batalhão de Polícia Militar, coronel Reimão, negou que tivesse pedido reforço ao Batalhão de Choque da Polícia Militar para cumprir a decisão judicial. Embora otimistas, os sem-terra não arredaram pé da estratégia de defesa em caso de uma investida de policiais militares. Estamos cheios de promessas e conversas fiadas, disse José Ribamar, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Estado do Rio. Só vamos descansar quando o juiz voltar atrás de verdade e o Incra emitir oficialmente a posse da fazenda.
Armados de foices e facões, os sem-terra estão divididos em grupos que vigiam os três acessos da fazenda. Cada grupo conta com morteiros para dar o sinal numa suposta ação de policiais. Se isso acontecesse, eles correriam para locais pré-determinados e iniciariam a resistência. Se um PM levantar uma arma, perde o braço, disse Gil Pedro, de 23 anos. Bandeiras do MST estão espalhadas pela fazenda e as crianças têm ordem de se esconder se ouvirem o sinal dos morteiros. As armadilhas com arame farpado, bambus e pneus continuavam ontem a bloquear os acessos até a sede da fazenda.
De acordo com técnicos do Incra, não há mais razões para o clima de tensão na fazenda. Pelo rito sumário, o juiz terá 48 horas para decidir sobre o pedido de posse feito pelo Incra e, tão logo a situação seja definida, o Incra iniciará o processo de seleção e cadastramento das famílias para começar o projeto de assentamento. A idéia é estimular a produção de hortigranjeiros no local.
De acordo com os técnicos do Incra, o Tesouro Nacional concedeu, na sexta-feira, autorização para emissão de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) no valor de R$ 722 mil, necessários para o pagamento total da desapropriação. O Incra ficou de depositar a quantia ontem na Caixa Econômica Federal (CEF). Por causa dos conflitos na área, os técnicos do Incra já vinham trabalhando no projeto de assentamento das famílias, que deverá ser realizado o mais breve possível.


