São Paulo, 21 (AE) - O juiz do Departamento de Inquéritos Policiais, Maurício Lemos Porto Alves, indeferiu hoje pedido de revogação da prisão preventiva de Vicente Viscome, preso no 29.º Distrito Policial, desde 31 de março, acusado de chefiar a máfia dos fiscais da administração regional da Penha, em São Paulo. Garantiu-lhe porém o direito de comparecer escoltado pela PM à Câmara Municipal de São Paulo em dias de sessão, mas depois será levado de volta à prisão.
Em caso de os dias de sessão na Câmara coincidirem com requisição para apresentação de Viscome à 8.ª Vara Criminal, onde corre o processo, a audiência judicial terá preferência.
O pedido foi feito pelo advogado Ademar Gomes. Ele argumentou que o vereador estava prestes a perder seu mandato, pois o regimento interno da Câmara estipula o limite de 42 faltas consecutivas, sob pena de cassação do mandato. Gomes disse que Viscome tem sido impedido de exercer o mandato para o qual foi eleito. Reconheceu o juiz que se não houve cassação de mandato, nem ao vereador foi concedida licença, subsiste a ele o direito e a obrigação de exercer sua função pública.
Lágrimas - Eram 16h50 e o ex-fiscal do setor de apreensão na Administração Regional da Penha Nilton Figueiredo Silva prestava depoimento à Comissão Processante, que analisa a cassação do vereador Vicente Viscome. Nesse instante, o advogado Ademar Gomes, após receber a visita de sua assistente, pediu licença para falar. "Quero dizer em primeira mão aos vereadores e à imprensa que o juiz havia deferido o pedido de licença especial para que o vereador Viscome volte a trabalhar na Câmara.
"Isso quer dizer que, a partir de agora, Viscome volta a fazer parte desta Casa." Viscome, que acompanhou durante o dia todos os depoimentos das testemunhas de acusação, tirou um lenço do bolso para secar as lágrimas.
Vinte e cinco minutos depois, Viscome concedeu uma entrevista coletiva no próprio plenário da Câmara. "Estou satisfeito e emocionado com a notícia", disse Viscome. "Agora sim a Justiça está sendo feita e vou provar para todos que sou inocente, que não passo de um bode expiatório e estou pagando pelo que não fiz", afirmou. "Há 55 dias estou comendo e dormindo mal", reclamou o vereador. "Durante todo esse tempo, eu fui o único vereador preso e o pior, sem provas contra mim."
Quando lhe perguntaram se ele sentia orgulho de ser vereador, parou por instantes e disse: "Na verdade, não". "Aqui na Câmara Municipal não há parceiro", afirmou. "Por espaço, o político vende até a mãe", disse. "Agora vou trabalhar e também fiscalizar São Paulo", completou. Viscome disse que não sabe se vai tentar concorrer na próxima eleição.
Nesse tempo de prisão, disse, aprendeu muita coisa. "Vou apresentar um projeto para o governador para que os presos tenham uma ocupação", disse. "Pois é um pena jovens de 18 e 19 anos ficarem o dia todo sem fazer nada na cadeia."
O advogado Ademar Gomes afirmou que a licença especial para o vereador voltar ao trabalho na Câmara é o primeiro passo para a liberdade definitiva de Viscome. "A liberdade do vereador virá em poucos dias, pois sua prisão é ilegal", disse Gomes.

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