O juiz da Infância e da Juventude de Guarapuava, Rene Pereira da Costa, pediu ontem à 1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro a devolução de três crianças que estavam sob a guarda provisória de Eneida Magalhães Pires, presa na última quinta-feira sob suspeita de traficar menores. As três crianças foram levadas por Eneida de Guarapuava em 1990, com autorização judicial. Mas o processo de adoção nunca foi concluído e chamou a atenção de Costa, que este ano retomou o caso.
As crianças de Guarapuava entregues a Eneida são Josiane Ribeiro, nascida em 3 de outubro de 1984; Anderson Rodrigo de Oliveira, de 5 de janeiro de 85; e Júlio César (o sobrenome não consta do processo), de 18 de janeiro de 86. As três foram abandonadas pelas famílias e viviam em casas-lares mantidas pela prefeitura. Depois de levadas para o Rio de Janeiro, elas receberam, respectivamente, os nomes de Liana, Lincoln e Lídio.
A guarda provisória dos três foi dada a Eneida pelo juiz Mário Borges da Silva, que respondia pelo Juizado da Infância e da Juventude de Guarapuava em 1990. Ela teria procurado a cidade a partir de informações do juizado carioca e informou que decidiu adotar crianças depois da morte de seus filhos gêmeos, cujos nomes deu a dois dos adotivos.
O juiz atual diz que a guarda provisória das crianças foi dada a Eneida antes da realização da sindicância sobre as condições de vida dela, habitual nos processos de adoção. Depois que ela viajou com os três, o Juizado emitiu várias cartas precatórias para a realização da sindicância no Rio, mas todas voltaram sem cumprimento.
‘‘Em março deste ano, recebi o processo, achei a história estranha e determinei a realização da sindicância’’, conta Rene Costa. Depois de várias tentativas de encontrar Eneida, o juiz chegou a decretar a prisão dela e a busca e apreensão das crianças. No dia 18 de novembro, Eneida esteve em Guarapuava com três crianças, que afirma serem as mesmas que levou da cidade em 1990.
Segundo o juiz, ela relatou que tinha 34 crianças sob seus cuidados, dos quais 15 filhos naturais, todos com nomes iniciados com a letra ‘‘L’’. Costa disse que ficou intrigado com a história e redigiu um despacho para o juizado do Rio de Janeiro, solicitando sindicância sobre a vida de Eneida. É provável que essa comunicação entre os dois juizados tenha sido a origem das investigações que levaram à prisão de Eneida, que tem 45 anos e se diz parapsicóloga.
O juiz Rene Costa pretende que as crianças voltem para Guarapuava, onde ficarão nas casas-lares à espera de novos interessados em adotá-las. Ele admite, contudo, que será difícil ter certeza sobre se as três crianças apontadas por Eneida são as mesmas levadas de Guarapuava em 1990.
O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), em Curitiba, também está em contato com a polícia carioca para obter informações sobre as crianças encontradas com Eneida. ‘‘Não há indícios de que ela tenha sob seus cuidados crianças desaparecidas no Paraná, mas vamos buscar dados mais precisos’’, disse o delegado do Sicride, Carlos Roberto Bacila.

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