Juiz pede à PF outro delegado para investigar morte de magistrado do MT
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por nelson Francisco, especial para a AE 
Cuiabá, 23 (AE) - O juiz da 2.ª Vara da Justiça Federal de Cuiabá Jeferson Schneider requisitou hoje ao diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, a nomeação de um novo delegado para investigar o assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral. A requisição é resultado do pedido de abertura de um novo inquérito, feito semana passada pelo procurador da República em Mato Grosso, José Pedro Taques.
Embora a Polícia Federal tenha encerrado o caso há duas semanas com a conclusão do inquérito, que durou 98 dias - quando 100 agentes policiais e 12 delegados tentaram elucidar o crime -
o Ministério Público e a Justiça Federal descartam, inicialmente, a versão apresentada pela PF. Schneider entendeu que a PF do Mato Grosso havia ficado sob suspeição ao afirmar que o caso estava encerrado, sem que houvesse mandante.
Pesou para a decisão do juiz o fato de o superintendente regional da PF, Cláudio Luiz Rosa, ter dito, em entrevista, estar certo que não há mandante para o crime. Amaral foi encontrado morto no Paraguai, em setembro. O juiz teve o corpo parcialmente carbonizado depois de receber dois tiros na cabeça. As investigações descobriram que o crime foi praticado por Beatriz árias e Marcos Peralta. Pela conclusão do inquérito presidido pelo delegado José Pinto de Luna, os dois indiciados praticaram o crime por motivo "torpe".
Transferida há uma semana da sede da PF para o presídio Feminino de Santo Antônio do Leverger (região metropolitana de Cuiabá ), Beatriz disse que vai revelar a verdade sobre a execução de Amaral. Em uma conversa com o técnico em informática Leopoldo Augusto Amaral, filho do juiz, ela disse que a sociedade vai ficar "assustada" com suas revelações, que podem comprometer muita gente.
O conteúdo da conversa de Leopoldo foi tomado pelo delegado João Bosco de Almeida, da Delegacia do Complexo Político Administrativo (CPA), cujo inquérito instaurado apura o desvio de R$ 1,5 milhão das contas judiciais da 2.ª Vara da Família, onde o juiz era titular. Nem Leopoldo nem o delegado quiseram revelar detalhes do depoimento. A reportagem não localizou os delegados Luiz Rosa e Pinto de Luna para falar sobre o assunto.


