Juiz paraguaio só fala 2ª feira sobre brasileiros sitiados
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sexta-feira, 23 de julho de 1999
Por Patrícia Iunovich, especial para AE 
Foz do Iguaçu (PR), 24 (AE) - A Justiça do Paraguai só vai se manifestar segunda-feira (26) sobre o estado de sítio em que se encontra há quatro dias a cidade de San Alberto, localizada a 90 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu.
Um grupo de 2 mil integrantes do movimento dos trabalhadores rurais sem-terra paraguaios bloqueou as principais estradas de acesso à cidade e tomou conta das ruas.
Eles querem a saída dos imigrantes brasileiros - que representam 80% dos 23.500 habitantes - e a deposição do prefeito Romildo Antônio Maia de Souza, 36 anos, que também é brasileiro.
O juiz da 1ª Vara Criminal de Ciudad del Este, Hugo Zueli Martinez, vai decidir se Maia poderá voltar a despachar no prédio da prefeitura local, que há dez dias está cercada pelos manifestantes.
A cidade tenta voltar aos poucos à normalidade, mesmo com a presença dos sem-terra. No início da semana passada, o policiamento teve de ser reforçado para evitar um confronto armado e permitir que o comércio pudesse reabri e as aulas da rede pública voltassem ao normal.
Outras cidades colonizadas por imigrantes brasileiros temem a ação do movimento sem-terra. Em Santa Rita, por exemplo, cerca de 90% dos 20 mil habitantes são agricultores procedentes do Brasil.
Cerca de 200 agricultores brasileiros que foram expulsos de suas terras no Paraguai estão acampados nas proximidades da Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu. Eles querem que o governo brasileiro interceda em seu favor e garanta a segurança dos imigrantes que permanecem no país vizinho, apesar das constantes ameaças de invasão.
Se não conseguirem uma resposta até segunda-feira, prometem fechar novamente a ponte - como ocorreu na última quinta-feira.


