Juiz nega-se a substituir promotor para debate entre peritos
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 16 (AE) - O juiz Alberto Jorge Correia de Lima negou hoje algumas das exigências feitas pelo médico legista Fortunado Badan Palhares para participar do debate entre os peritos que assinaram laudos sobre as mortes do empresário Paulo César Farias e sua namorada Suzana Marcolino. O debate está confirmado para amanhã (17) à tarde no fórum de Maceió. "As exigências feitas não são condicionantes, por isso não acredito que ele desista de participar do debate", afirmou o magistrado, que recebeu a petição de Palhares no aeroporto de Maceió, embora o documento esteja datado de 14 de junho e foi transmitido a ele por fax no mesmo dia.
Na petição, que contém seis laudas e é assinada por dois advogados, Palhares pede a substituição do promotor Luiz Vasconcelos. Pede, também, que alguns materiais como cama, colchão, a arma do crime e o tubo de ensaio com os resíduos químicos encontrados nas mãos de Suzana sejam levados ao fórum para o caso de ele precisar demonstrar sua tese. "O promotor continua no caso e não tem sentido afastá-lo ou substituí-lo. As demais exigências serão atendidas na medida do possível", afirmou Lima.
Segundo a advogada de Palhares, Tereza Doro, seu cliente pediu outro promotor porque Vasconcelos "já executou comentários técnicos desabonadores sobre o laudo que sustenta a tese de crime passional". Palhares desembarcou em Maceió às 16h acompanhado de três advogados e quatro peritos auxiliares. Ele não quis falar com os jornalistas.
Segundo o juiz, Palhares e os demais peritos convocados para o debate estão subordinados à autoridade judicial e poderão sofrer sanções previstas na lei a que estão submetidos os funcionários públicos. "Eles são peritos judiciais e, como tal, poderão responder por crime de desobediência e falsa perícia", explicou Lima.
O juiz e dois delegados que estão à frente das investigações sobre o caso -Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade- estiveram no aeroporto para receber as equipes de Palhares e do médico legista Daniel Munhoz.
O primeiro a chegar, por volta das 14h, foi o perito criminal Domingos Tochetti. Depois dele, chegou Palhares e equipe, às 16h. Pouco depois, as 16h30 chegou o legista Genival Veloso de França, professor de medicina legal da Universidade Federal da Paraíba. Tochetti e Veloso são da equipe de Munhoz, cuja chegada está prevista para as 23h.
Os peritos darão esclarecimentos sobre as duas versões para o crime: homicídio seguido de suicídio, como defende Palhares, ou duplo assassinato, como sustenta Munhoz. No debate, Tochetti deverá mencionar a ausência de um elemento químico -o antimônio- que deveria constar dos registros coletados das mãos de Suzana, caso ela tivesse cometido suicídio. Outra polêmica que deverá ser levantada é sobre a trajetória da bala que matou Suzana. Há informações contraditórias nos dois laudos: o de Palhares diz que Suzana tinha 1,67m de altura e o de Munhoz, que a namorada de PC media 1,57m.


