Juiz nega prisão preventiva de ex-administrador de Pinheiros
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Thélio de Magalhães 
São Paulo, 01 (AE) - Após dez dias de prisão temporária o juiz Maurício Lemos Porto Alves, do Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária, indeferiu hoje pedido de decretação da prisão preventiva de Osvaldo Kawanami, ex-administrador regional de Pinheiros, acusado de integrar a máfia dos fiscais. O juiz mandou libertá-lo tão logo se esgote o prazo da prisão temporária, após ele ser submetido "a novo exame médico cautelar". Porto deu ao delegado 60 dias para conclusão do inquérito policial.
O inquérito teve início em 6 de agosto pelas declarações do fiscal Marco Antônio Zeppini, que está preso desde dezembro, quando foi pego exigindo propina da proprietária de uma academia de ginástica. Zeppini acusou o ex-administrador Kawanami, Fábio Pacheco de Simoni Nobre (supervisor de uso e ocupação de solo) e Maria Thereza Ribeiro de Almeida Ferrari de Castro (chefe da unidade de fiscalização) de participação no esquema criminoso. A meta do esquema era areecadar US$ 120 mil/mês. O dinheiro seria destinado ao custeio da campanha a deputado estadual do pai do vereador Paulo Roberto Faria Lima, que teria o controle político da AR-Pinheiros. Estariam ainda envolvidos 22 agentes vistores coordenados por Zeppini. A meta foi atingida, mas o candidato não se reelegeu.
Resistência - Em sua decisão, diz o juiz que Kawanami fora intimado pelo delegado a prestar depoimento em 7 de junho. Depois, apresentou-se à autoridade policial para ser interrogado. "Sem maior resistência." Os demais indiciados agiram da mesma forma. A apuração dos fatos exige ainda a realização de outras diligências, até investigação de dezenas de pessoas, muitas das quais fiscais municipais.
Alves indeferiu o pedido de prisão preventiva sob o argumento de que "não houve notícia de que a instrução criminal foi prejudicada". O juiz mandou fazer três cópias dos autos, que serão mantidos em cartório para consulta dos advogados constituídos, mas também serão remetidos à Câmara Municipal e à Corregedoria da Prefeitura.


