Juiz nega pedido para revogar prisão de policiais acusados de ficar com parte do dinheiro do Banespa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Thélio de Magalhães 
São Paulo, 11 (AE) - O juiz de Departamento de Inquéritos Polícias (Dipo), César Augusto Andrade de Castro, indeferiu hoje pedido da revogação da prisão temporária por 30 dias, decretada por ele dia 05 contra os investigadores da Polícia Civil Miguel Antônio Costa e Maldinei Antônio de Jesus, do 85º Distrito Policial. Os policiais são acusados de extorsão mediante sequestro contra familiares de dois assaltantes do Banespa. No assalto, o maior registrado no País, foram levados R$ 37 milhões. Segundo a acusação, os investigadores se apoderaram de parte do produto do roubo, sequestrando familiares dos dois assaltantes. O advogado dos denunciados, Daniel Leon Bialski, , não existem motivos para manter os policiais na cadeia, porque desde o começo os dois estiveram à disposição da Coregedoria da Polícia, disse, antecipando que vai impetrar habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado em favor dos policiais. Inquérito - No inquérito contra os investigadores, em andamento setor operacional da Corregepol, uma das figuras chaves é o advogado Fuad Hassud. A primeira denúncia sobre o episódio partiu dele, que ainda não foi ouvido. Na corregedoria, o supervisor da Divisão de Segurança do Banespa, Mário Eduardo Spera, disse ter sido procurado no dia 28 de julho por Fuad, que se apresentou como advogado de Flávio Trindade de Souza, um dos assaltantes do Banespa.
No encontro ele teria contado que Souza havia sido abordado por policias do 85º DP, que tomaram dele R$ 500 mil. Uma semana antes, dia 24 de julho os mesmos policiais invadiram a casa do pai de Souza, onde permaneceram até segunda-feira, à espera do assaltante. Quando ele apareceu, os policiais tomaram mais R$ 2,1 milhões. Na ocasião, Fuad disse que preferia se entender com o banco, pois a solução seria mais rápida. O advogado Daniel Bialski atribui a vingança a acusação contra os dois investigadores. Segundo ele, agum tempo antes, os dois policiais haviam prendido um dos assaltantes do Banespa, Manoel Pereira de Azevedo, acusado do assassinato do guarda civil metropolitano Renato Rodrigues de Carvalho, em Parelheiros, na zona sul. Na época, teriam tido um desentendimento com Fuad, que os teria ameaçado.


