Juiz nega pedido de assassino de crianças para morrer de fome
Liverpool, 10 (AE-AP) - O Tribunal de Liverpool negou hoje (10) ao assassino em série Ian Brady o direito de morrer de fome. Ele foi condenado à prisão perpétua em 1966 com a amante e cúmplice, Myra Hindley, por torturar, matar e enterrar três meninos num terreno baldio de Saddleworth, perto de Manchester. Pouco depois, ele confessou a morte de outros dois adolescentes.
Ao completar 33 anos de prisão em setembro do ano passado, Brady iniciou uma greve de fome no hospital do manicômio judiciário de Asworth, onde cumpre pena. Mas os médicos do hospital decidiram mantê-lo vivo, mediante alimentação forçada (por meio de tubos).
Indignado, ele decidiu recorrer à Justiça, argumentando que os médicos estavam violando seu direito de querer morrer. "Não desejo outra coisa, quero deixar esta vida", escreveu ele no recurso.
Mas o juiz Maurice Kay, um dos que atuaram no caso do general chileno Augusto Pinochet, rejeitou o apelo. "Os médicos adotaram uma decisão legítima, justa e racional", destacou o juiz. "Valeram-se do direito de decidir sobre a saúde dos pacientes quando estes são incapazes de compreender e discernir."
A sentença foi recebida com satisfação pela associação de parentes das vítimas. "Achamos que Iam Brady e Myra Hindley devem ser mantidos vivos para cumprir a pena."
Myra, por sua vez, disse que está sendo "corroída" pelo remorso. "Não aguento mais viver com isso, preferia ter sido executada". A pena de morte foi abolida na Grã-Bretanha em 1966, pouco antes do julgamento do casal.





