Juiz nega novo pedido de prisão de Maria Helena
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por Valéria Rossi e Rogério Panda 
São Paulo, 25 (AE) - O juiz-corregedor Maurício Lemos Porto Alves, da Divisão de Inquéritos Policiais (Dipo), indeferiu hoje o pedido de prisão temporária para a vereadora Maria Helena Pereira Fontes (PL), seu filho, o investigador Paulo Rogério Pereira Neme, e o delegado Airton Bicudo, por coação e formação de quadrilha. O pedido de prisão foi feito pelo promotor Gabriel Cesar Zaccaria De Inellas, após ouvir por duas horas o depoimento do ex-assessor de gabinete da vereadora, A.C.S..
Segundo o depoimento, A.C.S. teria sido obrigado, sob ameaça de morte, a desmentir o depoimento dado ao grupo de delegados e promotores que formam a força-tarefa (que investiga a máfia dos fis cais). Além disso, sua casa teria sido arrombada por duas vezes e, nos últimos meses, estaria recebendo telefonemas e bilhetes com ameaças de morte. A.C.S. contou também que o delegado Bicudo foi em sua casa usando um carro particular da vereadora Maria Helena e teria lhe oferecido R$ 50 mil, documentos falsos para ele morar em uma outra cidade.
Em seu parecer, o juiz-corregedor afirmou que não há elementos indicadores que possam caracterizar o crime de formação de quadrilha ou bando. Contra a coação da testemunha A.C.S., o juiz-corregedor também ressaltou que faltam "elementos de convicção de existência de indícios de culpa e a certeza da existência do crime". Minas Gerais - A vereadora Maria Helena não quis esperar a decisão da Justiça e deixou sua casa hoje bem cedo. Pelo menos foi o que os vizinhos presenciaram pela manhã, devido a grande movimentação de carros em frente a residência da vereadora. Ela teria ido para seu sítio no sul de Minas Gerais.
A reportagem passou o dia em frente a residência da vereadora. O local está sendo protegido por dois segurança e pelo menos dois "olheiros". Segundo um dos segurança, que não quis identificar-se, não havia ninguém em casa. Ele não confirmou a viagem da vereadora, mas deixou escapar: "ela precisava descansar; estava amoada; deve ter ido para o sítio".
O filho da vereadora, Neme, passou de carro pela rua para falar com os seguranças. Ele estava com sua ex-noiva Marcela. Ao avistar a reportagem, Neme falou rapidamente com os vigias. Logo depois, um dos seguranças saiu com uma camionete D-20 da garagem do imóvel. Ao todo tinham seis carros na garagem
inclusive, um veículo oficial da Câmara Municipal. Outro que esteve no local, foi o irmão da vereadora, Valter Augusto Pereira, de 61 anos. Ele disse que a família não acredita nas denúncias contra ela.
Ao contrário, Odair Pacheco Pereira, também irmão de Maria Helena, lamentou não ter sido convocado para prestar depoimento contra a irmã. "Seria uma oportunidade para me defender das acusações que sofri", disse. Ele foi acusado de ser um dos envolvidos em esquemas de corrupção na Administração Regional da Freguesia do à. (colaborou Marcus Lopes)


