Rio de Janeiro, 07 (AE) - O juiz Alexandre Abraão, do 3º Tribunal do Júri, negou nesta segunda-feira (07) o pedido de liberdade provisória para o auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, encaminhado pelo advogado do réu, Arisnaldo de Oliveira Paiva.
Segundo o juiz, crimes hediondos não são suscetíveis de fiança ou liberdade provisória. Guimarães é acusado de ter provocado a morte de pacientes internados na Unidade de Pacientes Traumáticos (UPT), do Hospital Salgado Filho, no Méier, zona norte.
Durante a tarde, Abraão ouviu as sete testemunhas arroladas pelo Ministério Público na denúncia contra o auxiliar de enfermagem. O primeiro a depor foi o diretor do hospital, Flávio Adolpho Silveira, que falou cerca de duas horas. Ele confirmou a denúncia que fizera à polícia civil, baseado no relato de funcionárias do hospital, acusando o auxiliar de enfermagem de ter praticado os crimes.
Guimarães é acusado de provocar a morte de pacientes - com a aplicação de injeções de cloreto de potássio ou desligando aparelhos de respiração - para receber gratificação de agências funerárias. O réu, que confessou ter matado quatro pacientes no dia em que foi preso e negou o fato em juízo, chegou ao 3º Tribunal do Júri algemado e escoltado por dois policiais militares.
O diretor do hospital relatou que, no dia 4 de maio, foram constatadas duas mortes em que "o teor de potássio no sangue das vítimas estava incompatível com a realidade". Nesse dia, Guimarães estava de plantão.
"Acredito que ainda possa haver picos de mortes em plantões, mas uma projeção estatística aponta para a regularidade das mortes após o afastamento do réu", declarou o diretor do hospital.
A auxiliar de serviços gerais e autora da primeira denúncia contra Guimarães, , Cátia Rodrigues Honório da Silva declarou ao juiz que havia notado que os pacientes sempre acabavam morrendo logo depois que Guimarães aplicava injeções em suas veias.
Ela confirmou que contou o fato à chefe de enfermagem e que, a pedido da direção do hospital, entregou o lixo retirado do setor onde Guimarães trabalhava. Ela não soube dizer, entretanto, se foi encontrado algo no lixo que incriminasse o auxiliar de enfermagem.
O assessor jurídico da Secretaria Municipal de Saúde, Joaquim do Amaral Filho, negou ontem que Guimarães tenha confessado os crimes sob tortura. Amaral Filho disse que acompanhou o depoimento do auxiliar de enfermagem aos policiais e que Guimarães confessou por "livre espontânea vontade" e que não havia marcas de espancamento no corpo de Guimarães.
Ainda foram ouvidas a delegada de polícia Marta Cavalieri, o detetetive César Fernandes Borges, além de Maria do Carmo Santos e Silvio Cunha Patrocínio.

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