Londrina - Nos seis juizados especiais cíveis de Londrina, foram apresentadas 2.210 ações sem advogado entre 1º de janeiro e 30 de julho deste ano, o que representa 19,25% do total das causas. Essa porcentagem, entretanto, foi calculada com base em todas as ações cíveis nos juizados, inclusive aquelas incluídas na faixa em que é obrigatório contratar advogado – as estatísticas não são divididas em causas abaixo e acima de 20 salários mínimos.
Rodrigo Afonso Bressan, juiz do 2º Juizado Especial Cível de Londrina, não acredita que haverá sobrecarga de ações se o projeto de lei de Jorge Tadeu Mudalen for aprovado. "Seria uma opção a mais (para o cidadão). O que a gente orienta é que a pessoa procure advogado se a causa for mais complexa", explica.
Bressan relata que a maioria das ações que são ingressadas com advogados são as que exigem mais conhecimento técnico, como revisões de contratos bancários. Já as causas em que o cidadão não contrata advogado geralmente são menos complexas.
Na última semana de julho, a dona de casa Dinalva Ramos da Silva Santos, de 50 anos, entrou com uma ação em um juizado especial cível de Londrina. "É a segunda vez que entro com a mesma ação. Eu ganhei a causa na primeira vez. Estou entrando de novo no juizado porque a empresa me colocou na mesma situação", relata.
Dinalva afirma que trabalhava revendendo produtos para uma empresa, que depois alegou que a dona de casa tinha ficado com uma dívida. Por isso, o nome dela foi incluído no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Na primeira ação, foi feito um acordo.
Nas duas vezes em que procurou o juizado, Dinalva não contratou advogado. Ela diz que não sentiu necessidade. "Não tive problema nenhum. Eu não estou interessada no valor. Só quero provar que não estou devendo nada", justifica.(F.G.)

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