Juiz morre após ser acusado de ferir colega
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quinta-feira, 27 de agosto de 1998
Agência Folha 
O juiz André Calmon de Almeida César, de 29 anos, morreu ontem no Recife (PE) com um tiro na cabeça, horas depois de ser apontado como o autor de uma tentativa de homicídio contra o também juiz Alberto Nogueira Virgínio, 44 anos.
Segundo o diretor da Polícia Civil de Pernambuco, Valdir Macedo, César teria cometido suicídio no banheiro de um hotel cinco estrelas localizado em Boa Viagem, bairro nobre da zona sul da cidade. Virgínio, atingido por um tiro na coxa e outro no peito, foi operado e até a tarde de ontem continuava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Santa Joana.
A polícia trabalha com a hipótese de vingança. Há cerca de dois meses, César foi punido pelo Conselho de Magistratura em virtude de uma queixa impetrada por Virgínio por suposta agressão. O César acusava Virgínio de persegui-lo desde a época em que os dois trabalharam no sertão, há mais de seis meses, disse o diretor da Associação dos Magistrados de Pernambuco, Frederico Guilherme Rodrigues de Lima, 54 anos.
Segundo ele, Virgínio trabalhava como corregedor auxiliar e, em uma fiscalização, detectou falhas administrativas na comarca de São José do Egito, na época sob responsabilidade de César. Apesar de não ter sido punido, disse o diretor da associação, César teria se irritado com o fato e, no final do ano passado, teria agredido o colega nos corredores do Tribunal de Justiça do Estado. Virgínio - titular da 21ª Vara Cível do Recife - denunciou o caso ao Conselho de Magistratura, que decidiu então punir o acusado com pena de advertência.
Na noite de anteontem, Virgínio foi atingido por dois tiros disparados de um Vectra azul, após sair de uma padaria no centro do Recife. Apesar de ferido, ele ainda conseguiu dirigir seu veículo até um quartel da Polícia Militar, onde foi socorrido. Segundo o diretor da Polícia Civil, o juiz ferido reconheceu o carro de onde partiram os tiros como sendo o de César.
César estava hospedado com a mulher no Recife Monte Hotel. Seu corpo foi encontrado no banheiro do quarto às 2 horas. Nenhum parente dele comentou o caso. A direção do hotel também não se pronunciou sobre o assunto. Para o diretor da Associação dos Magistrados, César teria atirado no colega e se matado por não suportar a pressão do cargo. Ele foi vítima de um desequilíbrio emocional, declarou.
O IML (Instituto de Medicina Legal) informou que César morreu em consequência de um choque decorrente de ferimento à bala na cabeça. O laudo que poderá apontar se houve ou não suicídio será divulgado em dez dias. Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco, as investigações policiais serão acompanhadas por um desembargador a ser indicado pela instituição.


