Juiz mineiro que ouviu ex-amante de traficante é ameaçado de morte
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 26 (AE) - O juiz da 12ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Eli Lucas de Mendonça, recebeu ameaça de morte por telefone dois dias depois de ouvir Luciana Assis, ex-amante do traficante Roni Peixoto, o braço-direito de Fernando Beira-Mar em Minas. Luciana denunciou o envolvimento de políticos, empresários e policiais no tráfico de drogas no Estado.
Em três telefonemas anônimos atendidos por auxiliares do juiz, o autor das ameaças afirmou que a execução de Mendonça seria necessária caso não seja possível eliminar Luciana Assis antes que ela revele os nomes dos envolvidos. A testemunha, que se apresentou espontaneamente ao juiz da vara de Tóxicos na terça-feira, deverá ser ouvida em Brasília pelos deputados federais que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico.
"Recebo essas ameaças com preocupação mas, por outro lado, estou tranquilo para o cumprimento da lei", disse hoje o juiz, que foi responsável pela condenação de Fernando Beira-Mar em Minas. O traficante carioca esteve preso na Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) em Belo Horizonte, mas fugiu no ano passado.
De acordo com o magistrado mineiro, Luciana citou em seu depoimento "muitas pessoas, muitos nomes e inúmeros fatos, cada um mais grave do que o outro". A validade do depoimento da ex-amante de Roni Peixoto, que sofre de problemas mentais, chegou a ser questionada por parlamentares. No entanto, segundo ele, não houve contradições em seu depoimento.
Cumprimento o dever de sigilo, o juiz não quis comentar os episódios relatados por Luciana mas informou que as denúncias foram bastante contundentes. "Ela revela fatos", resumiu. "Se os fatos representam verdades ou não é questão que, evidentemente, compete às investigações apurar."
Eli disse estar confiante nos resultados da CPI do Narcotráfico. "A CPI tem uma representatividade extraordinária e confio que podemos dar um passo adiante para conhecermos as pessoas mais importantes do esquema", avaliou. "Mas não será trabalho fácil, nem simples, nem rápido." Desde os telefonemas anônimos de ontem (25), o juiz Eli Lucas de Mendonça teve a segurança reforçada. A escolta pessoal foi triplicada e também a segurança em sua residência. Depois da condenação do traficante Beira Mar, o magistrado foi alvo de uma tentativa de sequestro.
Na próxima quinta ou sexta-feira , ele deverá encontrar-se com o presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PTB-ES) e o relator, deputado Moroni Torgan (PFL-CE).
CPI Mineira - Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o narcotráfico em Minas terão início na próxima terça-feira com uma reunião entre deputados, representantes do Ministério Público Federal e Estadual e das polícias Federal, Militar e Civil. O encontro ocorrerá no fim da tarde, na Assembléia Legislativa. Na tarde de ontem (25) foram definidos os presidente, vice-presidente, relator e sub-relator da CPI. Os deputados eleitos foram, respectivamente, Marcelo Gonçalves (PDT), Paulo Bial (PFL), Rogério Corrêa (PT) e Antônio Andrada (PSDB). Na reunião da terça-feira, os deputados terão uma aula sobre a repressão ao narcotráfico. Com base em informações passadas pela polícia é que a comissão vai definir a lista dos primeiros depoentes a serem convocados.


