Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Justiça da Comarca de Catanduvas (50 quilômetros ao sul de Cascavel) determinou no final da tarde de ontem a soltura de sete das oito pessoas presas no dia anterior pela Polícia Militar, na reintegração de posse feita em um conjunto de três fazendas limítrofes que haviam sido ocupadas há 10 dias. O MST havia formalizado pedido de soltura de todos os presos, através de três advogados da Rede Nacional de Advogados Populares.
O pedido foi inicialmente submetido à apreciação do promotor Cleverson Tozatte, para decisão da juíza Carmem Mondin. A PM utilizou cerca de 200 policiais para retirar das fazendas 150 sem-terra. Alguns deles disseram que os policiais usaram de violência, o que foi negado por uma das coordenadoras do acampamento, Lucimara de Andrade, 19 anos.
Lucimara foi uma das oito pessoas que permaneceram presas até a tarde de ontem em Catanduvas – outras cinco já haviam sido liberadas. No acampamento foram encontradas três espingardas, um revólver e uma garrucha. Segundo o delegado Donizette Botelho, os sem-terra podem ser enquadrados nos crimes de esbulho possessório e porte ilegal de armas, além de resistência à ação da PM.
Foram libertados ontem Lucimara de Andrade, Jucelino de Souza, José Ferreira, José Zaranella, Valentim Rodrigues, Cláudio Loredo e Armando Sobrinho. Carlos Duarte Morinago, que veio do Paraguai, permanece preso por não ter domicílio.
Os donos da área, José Manoel Mendonça, Carlos Alberto Zuquetto e Maria Alice Paciornik, reiniciaram atividades em suas propriedades. No local do acampamento, no meio da reserva, há apenas escombros.
Ubiraci Stesko, do MST, disse ontem à Folha de Londrina/Folha do Paraná que a força, que está sendo organizada por fazendeiros e o prefeito Olímpio de Moura (PMDB), ‘‘é uma quadrilha ou um grupo guerrilheiro’’. Segundo ele, ‘‘eles querem criar um novo Eldorado do Carajás’’.

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