PRF fiscalizou 610 estabelecimentos no Paraná; 180 foram multados

Curitiba- Os comerciantes do trecho da BR-476 que atravessa Curitiba conseguiram na Justiça o direito de voltar a vender bebidas alcoólicas. Atendendo a um pedido do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Curitiba (Sindotel), o juiz federal Paulo Cristovão de Araújo Silva Filho considerou que a rodovia está inserida no perímetro urbano da Capital e, assim, fica livre das limitações impostas pela Medida Provisória 415. Os donos de estabelecimentos, que reclamam de quedas de até 50% no faturamento, dizem estar aliviados com a decisão.
A liminar foi concedida na última terça-feira. Mas apenas no fim da tarde de ontem a superintendência regional da Polícia Rodoviária Federal (PRF), responsável por fiscalizar o cumprimento da MP, foi notificada sobre a decisão. Na ação, o Sindotel alegava que um convênio firmado em 2000 entre a União e a prefeitura de Curitiba passou ao município a administração do trecho, que tem 22 quilômetros de extensão. Com isso, os comerciantes estariam livres da proibição de verder bebidas alcoólicas.
Donos e responsáveis por restaurantes e bares instalados na região comemoraram a liberação. Vanio Carlos Rui, gerente da churrascaria Gaúcha, que há 25 anos atende em uma casa ao lado da antiga rodovia, afirma que o movimento caiu em torno de 50% depois que o estabelecimento deixou de vender bebidas alcoólicas. ''Nossos clientes não vem aqui para encher a cara, mas querem tomar sua caipirinha ou sua cerveja'', diz. ''Como não podíamos mais oferecer isso, eles iam para outros restaurantes e acabamos deixando de vender uma média de 50 refeições por dia'', acrescenta.
Segundo Rui, isso pode ter causado um prejuízo de até R$ 15 mil à churrascaria. Apesar disso, nenhum funcionário chegou a ser demitido. Mas diante das dificuldades, o gerente admite que o estabelecimento cumpriu a determinação da MP por apenas 10 dias. ''Depois disso decidimos correr o risco e voltar a vender. Ainda assim, o movimento só começou a voltar ao normal depois de mais uns 10 dias'', conta. Por sorte, o estabelecimento não recebeu nenhuma multa. ''Mas sabemos de vários restaurantes que foram multados aqui na região'', afirma.
Quem também se diz aliviada com a decisão da Justiça Federal é Juraci Bernardete Zauza, dona do restaurante Olivo's. ''Foi um período péssimo. As vendas baixaram de 30% a 35%, principalmente nos fins de semana'', declara. A proibição, segundo ela, fez com que não pudesse ampliar o quadro de funcionários. ''No fim de semana sempre contratava um garçom extra, que tive que dispensar'', conta. Apesar da liminar, ontem Juraci ainda tinha receio de vender bebidas alcoólicas e aguardava uma cópia da decisão para afixar no estabelecimento.
Mas a assessoria de imprensa da PRF informou que passaria a cumprir de imediato a decisão. Segundo a PRF, desde que a proibição entrou em vigor, 610 estabelecimentos foram fiscalizados em todo o Paraná. No total, 180 deles foram multados.

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