Juiz federal requisita cópias do material sobre vazamento de dados da Receita
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 21 (AE) - O juiz João Carlos da Rocha Matos, da 4ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo requisitou à Polícia Civil cópias de todo o material existente sobre a investigação do vazamento de dados na Receita Federal em São Paulo. O juiz quer analisar a documentação e encaminhá-la ao Ministério Público Federal. O objetivo é descobrir a existência de crime de competência da Justiça Federal.
O juiz enviou na semana passada dois ofícios ao delegado Manoel Adamuz Neto, titular do 5.º Distrito Policial, que chefia a apuração feita pela Polícia Civil. Rocha Matos pediu cópia integral do inquérito com todos os seus depoimentos e os originais ou cópias dos discos de CD-ROMs apreendidos pela polícia - em cinco existem as inscrições "Receita", "Telefônica Pessoa Física" e "Telefônica Pessoa Jurídica", "Cadastro Telefônica" e "Cadastro Telemar".
Hoje, a Superintendência da Polícia Federal (PF) de São Paulo designou o delegado Ulisses Vieira Mendes, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie) para acompanhar o caso. A Delecoie abriu inquérito para apurar o vazamento de dados da Receita na semana passada.
O Instituto de Criminalística (IC) do Estado de São Paulo já havia recebido até hoje 42 CD-ROMs, um computador, dois discos rígidos apreendidos e duas fitas de vídeo pelo 5.º DP de São Paulo. As fitas mostram o momento em que o vendedor Jefferson Festa Perez entregava CD-ROMs com dados das empresas de telefonia fixa e da Receita a policiais que se passavam por compradores.
Peres oferecia por preços que variavam de R$ 4 mil a R$ 6 mil CD-ROMs com dados sigilosos de 17 milhões de contribuintes
8 milhões de assinantes da Telefônica e de 3 milhões de clientes da Telemar no Rio, tudo vendido por meio de anúncios de jornal. Núcleo de informática - O IC criou um Núcleo Central de Perícias de Informática para investigar crimes como o vazamento de dados sigilosos de contribuintes da Receita Federal e a criação de sites sobre pedofilia na Internet. De acordo com o diretor do IC
Valdir Santoro, seis pessoas já estão trabalhando no setor.
O setor, segundo Santoro, estará completo até o fim do ano. Daqui a 20 dias, ele disse esperar que o IC termine a primeira análise do material apreendido pelo 5.º DP. Santoro afirmou contar com o auxílio da Receita, que pode dar informações que facilitariam a identificação da origem dos dados que constam nos CD-ROMs. A delegacia mandará ao IC mais 35 CD-ROMs e três computadores apreendidos em Jundiaí que podem conter dados de empresas telefônicas de Curitiba (PR) e de Salvador (BA).


