Rio - O juiz da 40 Vara Cível do Rio de Janeiro, Alexandre Mesquita, disse ontem que ''não existe crime de opinião'', embora tenha afirmado que o jornalista Alvanir Ferreira Avelino, preso há oito dias, em Campos, norte fluminense, foi condenado por causa do teor de matérias e editoriais escritos no jornal ''Dois Estados'', de Miracema, no noroeste do Estado.
''A imprensa tem o direito divulgar os fatos, mas não foi isso o que ele (Avelino) fez. Ele não criticou as minhas sentenças, apenas fez ofensas à minha pessoa'', disse o magistrado, acrescentando que os textos ditos ofensivos começaram a ser publicados em 1999, após ele ter condenado o jornalista por textos escritos contra o prefeito de Miracema, Gutemberg Damasceno (PV).
Na ocasião, Mesquita era o único juiz da comarca de Miracema e proibiu Avelino de escrever qualquer texto contra o prefeito. Ontem, durante entrevista na Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro, no centro do Rio, disse que não considerava a sentença dada em 1999 um cerceamento da profissão.
Desde a última sexta-feira, Avelino está cumprindo a pena de 10 meses e 15 dias de detenção em regime semi-aberto. De acordo com o juiz, dos oito processos que ele moveu contra o jornalista, dois prescreveram, dois foram anulados e, nos outros quatro, Avelino foi condenado.

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