Madri, 07 (AE-REUTERS) - O juiz espanhol que quer processar o ex- ditador chileno Augusto Pinochet mandou hoje detalhes de 11 novos casos de tortura para a Grã-Bretanha com o objetivo de fortalecer o pedido de extradição do general, disse hoje uma fonte da corte .
A Human Rights Watch, HRW, grupo de direitos humanos baseado em Nova York, afirmou ter também enviado detalhes de supostos crimes ao secretário do Interior britânico, Jack Straw, que convidou todas as partes a se pronunciarem até a data de hoje, 7 de abril.
Pinochet está detido em Londres desde outubro, enquanto a Corte e autoridades ponderam se ele pode ou não ser extraditado para a Espanha para ser processado por abuso dos direitos humanos durante os 17 anos de seu governo.
Straw afirmou na semana passada que estava revendo o caso de Pinochet depois da mais alta corte de justiça britânica ter aprovado a extradição.
A Câmara dos Lordes estabeleceu no dia 24 de março que a prisão de Pinochet era legal, mas que ele não poderia ser processado por crimes cometidos antes de 1988, ano em que uma convenção sobre tortura tornou-se parte das leis britânicas.
O dossiê original do juiz Baltasar Grazón afirmava que 3 mil pessoas morreram entre 1973 e 1990 sob o governo de Pinochet, entre elas dezenas de espanhóis.
A última decisão judicial da corte britânica excluiu muitos destes casos, mas desde então Garzón já levantou pelo menos 40 casos de tortura e assassinato ocorridos depois de 1988.
"Garzón aumentou as acusações pedindo a inclusão de 11 novos casos supostos de tortura", disse a fonte à Reuters.
Documentos detalhando os novos casos foram enviados a Londres, mas segundo a fonte, nenhum outro detalhe dos supostos crimes foram imediatamente divulgados.
A HRW inventariou 111 casos de suposta tortura cometidos depois de 1988.
A organização, autorizada pela Câmara dos Lordes a tomar parte do caso, considera que a Grã-Bretanha está obrigada a extraditar ou processar Pinochet sob a Convenção de Tortura das Nações Unidas.
Segundo a HRW, um objetivo central da convenção era negar um "porto seguro" para os acusados de tortura.
"A tortura no Chile era sistemática, mas mais seletiva no fim do governo de Pinochet", afirmou numa carta o diretor jurídico da HRW, Reed Brody. Segundo ele, em 1988 "o aparelho repressivo montado por Pinochet ainda estava intacto e a tortura era usada quando eles sentiam que precisavam recorrer a ela".
A Human Rights Watch denuncia que dos 111 supostos casos de tortura no período de 18 meses entre outubro de 1988 a março de 1990, 41 pessoas receberam choques elétricos, enquanto 12 morreram em decorrência de tortura. Pelo menos 42 das vítimas torturadas foram presas por razões políticas, afirmou o grupo.

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