Curitiba O Tribunal de Justiça (TJ) do Estado do Paraná decidiu ontem instaurar processo administrativo contra o juiz da 2 Vara Cível de Cascavel, Sidney Francisco Martins, e determinou o afastamento cautelar do magistrado. A decisão foi do Órgão Especial do TJ, que se reuniu ontem e todos os 25 desembargadores votaram pelo processo e afastamento. As informações estão no site do TJ.
O Tribunal quer saber em que circunstâncias o juiz Sidney Martins concedeu uma carta precatória para ''busca e apreensão imediata'' de R$ 100.447.045,10, junto a qualquer agência do Banco do Brasil, referente ao pagamento de títulos da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás).
Cópia do documento foi apreendida durante a prisão do advogado de Recife, João Bosco de Souza Coutinho, na semana passada. Ele é suspeito de liderar um suposto esquema de fraudes contra a Petrobras e Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás). A operação da Polícia Federal que investiga esse caso ficou conhecida como Big Brother.
Segundo informações da 2 Vara Federal Criminal de Curitiba, onde tramita o processo do suposto esquema, o juiz de Cascavel teria concedido, em 3 de fevereiro último, liminar em ação judicial, protocolada no dia anterior, que requeria o pagamento de títulos da Eletrobrás, datados de 1965 e 1967, no valor de R$ 100.447.045,10. A ação teria sido proposta por ''Washington Marques de Souza''. No dia 9 de fevereiro, foi emitida a carta precatória, para que a tutela antecipada tenha efeito em Brasília (DF), São Paulo, Curitiba ou Rio de Janeiro.
Os advogados Michel Saliba Oliveira, José Lagana, Silvio Cavagnari e João Bosco Coutinho e o técnico em informática João Marciano Odppis estão presos em Curitiba desde o dia 15 de fevereiro, suspeitos de participar do esquema.
A Folha procurou, por telefone, ontem à tarde, o juiz Sidney Francisco Martins no Fórum de Cascavel, mas ele estava de licença médica. O diretor do Fórum, juiz Fabrício Prioto Mussi, disse que soube do afastamento pela imprensa.

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