Curitiba- O juiz da 2ªVara da Justiça Federal em Umuarama, no noroeste, Jail Benites de Azambuja, está preso temporariamente desde sábado em Curitiba, sob acusação de ter participado de um atentado contra o juiz da 1ªVara e diretor do Fórum da cidade, Luiz Carlos Canalli, no dia 19. O inquérito corre sob sigilo de justiça, mas há informações de que Azambuja também seria acusado de ter forjado um atentado contra ele próprio em 28 de fevereiro deste ano. A determinação para a prisão foi dada pelo Tribunal Regional Federal da 4ªRegião (TRF-4), em Porto Alegre.
  As autoridades responsáveis pelas investigações não comentaram os casos ontem, alegando o sigilo de justiça. Apenas foram confirmadas as prisões do juiz e de seu jardineiro, Adriano Roberto Vieira, de 28 anos, que está na delegacia de polícia em Umuarama. Ele é acusado de porte ilegal de arma e de ter dado os tiros contra a casa de Canalli. Em depoimento, assumiu a autoria e disse que agiu sem conhecimento do juiz. Azambuja foi conduzido para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil, em Curitiba, que tem condições melhores de carceragem.
  No início da manhã do último dia 19, a casa e dois veículos de Canalli foram atingidos por vários tiros. As investigações levaram à prisão de Azambuja. Ele estava fora de casa e, quando chegou, por volta de 13h30, recebeu voz de prisão e foi conduzido a Curitiba. Seu jardineiro, que às vezes servia como motorista da família, acabou preso em Porto Camargo, município próximo, quando pescava. Segundo o advogado do jardineiro, Antonio Mossurunga Moraes Filho, em depoimento ele assumiu o atentado contra Canalli e inocentou Azambuja.
  ‘‘Afirmou que o juiz (Azambuja) não sabia de nada e que ele estaria bêbado quando deu os tiros’’, acentuou. Em trecho do depoimento repassado pelo advogado, o rapaz disse que o juiz teria comentado que ‘‘se alguém atirasse contra a casa do dr. Canalli, o foco das atenções sobre ele (dr. Azambuja) seriam desviados (diminuiria) e, por isso, ele, Adriano, resolveu ir na casa do dr. Canalli disparar os tiros’’. O próprio advogado do jardineiro disse que não acredita nessa versão e que o juiz negou esse comentário em conversa com a mulher.
Prisão de policiais
  Em fevereiro deste ano, o carro utilizado por Azambuja recebeu seis tiros de pistola, sem que houvesse feridos. Dias depois, ele decretou a prisão de 47 pessoas, entre elas policiais civis e militares, sob suspeita de envolvimento no atentado. Elas foram liberadas na semana seguinte por falta de provas. Agora, surgem suspeitas de que o atentado poderia ter sido forjado para que o juiz tivesse uma justificativa que embasasse o pedido para as prisões, pois estaria investigando essas pessoas por suposta participação em contrabando. Em razão disso, há informações não confirmadas de que o TRF-4 analisava um pedido para que Azambuja fosse removido de Umuarama.
  A polícia chegou ao motorista e jardineiro do juiz após examinar imagens do circuito interno de uma das casas próximas. Ele estaria com o carro de Azambuja, pois levava as crianças para a escola pela manhã. Três dias depois do atentado, ele teria dito para Azambuja que era o responsável pelos tiros e que teria usado uma moto. Ao depor, ele ressaltou que, como não tem moto, o juiz ‘‘não deve ter acreditado’’.

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