Juiz é morto a tiros no Espírito Santo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de março de 2003
Agência Estado 
Vitória - O juiz Alexandre Martins de Castro Filho, da Vara de Execuções Penais do Espírito Santo, foi executado ontem de manhã quando chegava a uma academia de ginástica, em Vila Velha, Região Metropolitana de Vitória. Integrante do grupo de repressão ao crime organizado no Estado, o magistrado vinha recebendo ameaças há mais de um ano, mas dispensou ontem a proteção que vinha recebendo da Polícia Militar. O corpo de Castro Filho, que tinha 32 anos e era carioca, será enterrado hoje no Rio. Seis pessoas suspeitas de participação no crime foram detidas, entre elas dois PMs.
No último dia 14, foi morto a tiros o juiz corregedor das Execuções Penais em Presidente Prudente (SP) Antônio José Machado Dias.
Castro Filho, que trabalhava em parceria com a missão do governo federal para desarticular o grupo criminoso que agiria com o apoio de membros do Legislativo capixaba, tomou diversas medidas para desarticular a quadrilha. No ano passado, decretou a transferência do coronel Walter Gomes Ferreira, apontado como braço armado do esquema, de Vitória para o presídio federal do Acre. Pesam contra Ferreira acusações de diversos assassinatos.
Depois de receber ameaças, o juiz recebeu proteção da Polícia Federal, que foi retirada em janeiro. O motivo não foi divulgado.
Na última quarta-feira, ele passou a ser acompanhado pela PM. Mas ontem ele estava sozinho, por decisão própria, segundo a polícia.
O juiz costumava frequentar a academia Belle Forme, na Rua Natal, bairro Jardim Itapoã, por ser próxima à sua casa. Ontem, chegou por volta das 7h50, para a aula que começaria às 8 horas. Ele dirigia seu automóvel, uma caminhonete Ford Ranger.
Segundo testemunhas, dois homens vestidos de preto e de capacete, numa moto de cor vinho, já o aguardavam. Eles teriam a cobertura de uma caminhonete. Quando o juiz desceu de seu carro, o homem que estava na garupa da moto se aproximou e disparou dois tiros de pistola. Castro Filho foi alvejado no braço e o peito. Mesmo ferido, ainda andou alguns metros. Foi quando o bandido atirou mais uma vez, ferindo-o na cabeça.
O motor da motocicleta enguiçou e os criminosos tiveram de empurrá-la pela rua após a execução. Eles ainda dispararam para o alto, para afastar as pessoas que estavam na rua. Moradores de um prédio vizinho se assustaram e foram à janela ver o que acontecia. Os assassinos atiraram então contra o prédio. Ninguém se feriu. O juiz foi socorrido pelo personal trainer e outros dois instrutores da academia.
A Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo está oferecendo recompensa de R$ 10 mil para quem passar informações que levem aos assassinos. Horas depois do crime, o telefone 27 3222-8144 já havia recebido a denúncia de que dois sargentos da PM eram os executores. Eles foram presos pouco depois. Mais tarde, outras quatro pessoas também foram detidas. As identidades não haviam sido divulgadas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, que está concentrando as investigações. A Polícia Federal está auxiliando.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o diretor da PF, Paulo Lacerda, e o secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, foram para o Espírito Santo no início da tarde. Eles anunciaram o aumento na segurança de juízes capixabas e também de parlamentares que participam do combate ao crime. O juiz é a quarta pessoa morta desde que foi intensificado o combate ao crime organizado no Espírito Santo.


