Cuiabá, 13 (AE) - O juiz federal Fernando da Costa Tourinho Neto, corregedor-geral da 1ª Região do Tribunal Regional Federal (TRF), admitiu hoje, em Cuiabá, que os 16 desembargadores de Mato Grosso citados pelo juiz Leopoldino Marques do Amaral nas denúncias estão sendo investigados pela Polícia Federal (PF). Caso sejam confirmados quaisquer indícios da participação da cúpula do Judiciário no crime, automaticamente terão os sigilos telefônicos, bancários e principalmente fiscais quebrados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). "A justiça é morosa, ineficiente e ineficaz", criticou Tourinho Neto.
A Justiça Federal autorizou hoje, a quebra do sigilo bancário, telefônico fiscal do empresário Josino Guimarães, de 54 anos.
Com a prisão preventiva decretada há cinco dias, o empresário foi acusado por Amaral, assassinado na semana passada
no Paraguai, como suposto "agenciador de sentenças" no Tribunal de Justiça (TJ) do Mato Grosso. A pedido da PF e do procurador da República no Estado, Pedro Taques, Guimarães será ouvido quarta-feira (15) pela terceira vez na Justiça Federal.
No TJ, os desembargadores recusam-se a falar com a imprensa sobre o assassinato do juiz. Eles estão manifestando-se por meio de anúncios pagos nos meios de comunicação, cobrando apuração dos fatos. O presidente do TJ, Wandyr Clait Duarte, nega o envolvimento dos desembargadores no assassinato do juiz.
"Lamentavelmente, o juiz fez uma denúncia, não apresentou prova alguma e, nesse meio tempo, veio a falecer; foi um incidente a morte dele", diz o desembargador.
"As investigações estão bem adiantadas; já temos uma pessoa muito ligada com os desembargadores de Mato Grosso presa aqui e um pistoleiro em Ponta Porã", disse o superintendente da PF em Mato Grosso, Claúdio Luiz da Rosa.
O assassinato de Amaral provocou forte reação entre os juízes. Uma reunião prevista para acontecer hoje no TJ com os desembargadores não ocorreu. Constrangidos com o episódio, suspeita-se que os juízes boicotaram o encontro.

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