Belém, 05 (AE) - O juiz da 1ª Vara Federal no Pará, André Prado Vasconcelos, determinou hoje a desocupação da sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Belém, ocupada há sete dias por 600 agricultores sem-terra e suas famílias. Os sem-terra exigem titulação das fazendas Bacuri e Quintino Lira, créditos para as duas áreas, desapropriação da Fazenda Taba, além de assentamentos de novas famílias nas fazendas Zé Coelho, Camelo e Parafuso.
A notificação de reintegração de posse do prédio concedida pelo juiz ao Incra foi entregue ao líder sem-terra por uma oficial de Justiça que estava acompanhada por seis agentes da Polícia Federal (PF). Houve um princípio de tumulto quando o coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Raimundo Nonato Coelho de Souza, a quem é endereçada a intimação, negou-se a assinar o documento. Os policiais atiraram o papel no chão e retiraram-se do local, avisando que retornariam com força policial para fazer o despejo. "Se a direção do Incra não negociar a pauta de reivindicações do movimento nós iremos resistir", rebateu Souza. Por volta das 16 horas, ele conversou com Pedro Tomaz, interlocutor nomeado pela direção nacional do instituto para discutir as reivindicações do MST, mas não houve acordo. Tomaz reiterou a intenção do órgão de só negociar quando os sem-terra desocuparem a sede. No entanto, o dirigente do Incra acenou com a possibilidade do atendimento das reivindicações, argumentando que o maior problema estava na desapropriação da Fazenda Taba, que estaria situada em área urbana. "O Incra só cuida de área rural", disse Tomaz.
Ele sugere que o MST envie uma comissão para Brasília a fim de tratar pessoalmente da pauta de reivindicações. Se não optar por essa alternativa, a segunda hipótese seria discutir o problema em Belém, com o superintendente, Darwin Boerner. As duas propostas estão sendo analisadas pelo MST.

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