Juiz defende prisão de Talvane até o julgamento
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 22 (AE) - O juiz da 1ª Vara Especial Criminal de Alagoas, Daniel Acioly, disse hoje que se depender dele nenhum dos quatro assessores do ex-deputado federal Talvane Albuquerque será solto antes do julgamento. "Os pedidos de habeas corpus estão sendo analisados pelo Tribunal de Justiça, portanto somente os desembargadores poderão solta-los", afirmou o magistrado.
"Foi o que aconteceu com Winer Luiz Lopes Filho, que foi libertado na última sexta-feira (18/6) graças a um habeas corpus concedido pelo desembargador Alberino Correia, vice-presidente do Tribunal de Justiça", completou Acioly.
Winer Luiz é acusado de ter financiado a fuga dos quatro assessores de Talvane, acusados do assassinato da deputada federal Ceci Cunha (PSDB) e mais três parentes dela. Além dele, foram denunciados os assessores Jadielson Barbosa, Alécio Alves Vasco, Mendonça Medeiros da Silva, José Alexandre dos Santos. Os quatro estão presos, junto com Albuquerque, no presídio de segurança máxima Baldomero Cavalcante, em Maceió. Segundo Acioly
se forem condenados poderão pegar cada um 120 anos de reclusão, já que a condenação por vítima é estimada em 30 anos de prisão.
"Quero ter certeza absoluta de que eles são culpados, para não cometer injustiça", afirmou Acioly, que não quer emitir juízo de valor sobre o caso, mas reconhece que há insuficiência de provas contra Talvane e seus assessores, denunciados pelo promotor Márcio Roberto Tenório. Ao receber a denúncia, o juiz enviou cópias dos autos para o Supremo Tribunal Federal (STF), porque na época Talvane tinha imunidade parlamentar. Em 22 de abril, o STF decretou a prisão preventiva do ex-deputado, que está preso desde o dia 9 de abril porque responde por outro crime: tentativa de assassinato contra o radialista Alves Corrêa
em 1993.
Para a Justiça, no caso do assassinato da deputada e seus três parentes, ainda não há elementos suficientes que comprovem a participação de Talvane e dos assessores no crime. Por enquanto, contra o ex-deputado a principal prova é a fita com a gravação da conversa entre ele (Talvane) e o pistoleiro Maurício Gomes Novaes - o "Chapéu de Couro". Na conversa, Talvane se mostra interessado em contratar pistoleiros para matar o deputado federal Augusto Farias (PPB), mas para o juiz Acioly isto não prova que o deputado teria mudado de idéia e escolhido uma nova vítima, mandando matar Ceci para ficar com o mandato dela.
Além disso, o depoimento da principal testemunha Claudinete Santos Maranhão, que afirma ter visto Jadielson no local do crime, em 17 de dezembro de 1998, é contraditório. "Ela não se lembrava nem da cor da pele de Jadielson e depois disse que o reconheceu pela cor dos olhos", comentou o juiz. Enquanto isso, a Justiça continua dando credibilidade para o testemunho do jardineiro Valmir Pereira Campos, que passava de bicicleta em frente ao local do crime e afirma ter visto "Chapéu de Couro" dentro do carro usado para dar cobertura aos assassinos. Por conta disso, o pistoleiro está preso, porque passou de testemunha de acusação a réu.


