São Paulo- A adoção internacional é a única saída para crianças acima de quatro anos afastadas do convívio familiar e que vivem em abrigos. A avaliação é do juiz da Vara Cível da Infância e Juventude de Belo Horizonte (MG), Marcos Padula.
Estudo divulgado nesta semana revelou que 92% das 804 crianças e adolescentes que vivem em 75 abrigos da capital mineira não possuem interessados em sua guarda ou adoção.
Do total de abrigados, 77% têm de 7 a 17 anos. Essa faixa etária, segundo o juiz, é descartada pelos interessados em adoção no Brasil. ''Crianças de até um ano são preferidas por 80% das pessoas.''
O resultado disso, afirmou Padula, é a permanência dos jovens nos abrigos por períodos longos e indeterminados. ''Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diga que o abrigo é uma medida provisória, ela acaba vigorando até a maioridade.''
O fato é agravado pelo desconhecimento, por parte da Justiça, da situação dos abrigados. Das 75 entidades de Belo Horizonte, 54% não remetem informações periódicas ao juiz sobre seus internos.
Para Padula, a adoção internacional acaba sendo a única chance de jovens abrigados experimentarem o convívio familiar antes da maioridade. ''Mas o processo é complexo e lento.''
A adoção internacional deve ser precedida de uma ação de destituição do poder familiar dos pais, que pode demorar a ser proposta e julgada. No Brasil, é permitida somente após esgotadas as possibilidades de retorno da criança para a família de origem ou de adoção nacional.
Em Minas Gerais, a média é de 35 adoções internacionais por ano, segundo Maristela Vilhena, coordenadora do estudo sobre os abrigos de Belo Horizonte.
Na comissão de adoção internacional do Estado, ligada ao Tribunal de Justiça, são 350 crianças e adolescentes cadastrados, a maioria acima de dez anos.
Para Vilhena, há preconceito na sociedade brasileira em relação à adoção internacional. ''Muita gente ainda acha que o estrangeiro vai adotar crianças para retirar seus órgãos.''

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