Maceió, 02 (AE) - O juiz da 2ª Vara Especial Criminal, Alberto Jorge Correia de Lima, decretou hoje, no final da tarde, a prisão temporária por 30 dias (prorrogável por mais 30) dos cabos Pms Adeildo Costa dos Santos e Reinaldo Correia de Lima Filho e dos soldados Pms José Geraldo da Silva e Josemar Faustino dos Santos, seguranças do empresário Paulo Cesar Farias. Os quatro são acusados das mortes de PC e Suzana Marcolino, ocorridas no dia 23 de junho de 1996, em Maceió. O pedido de prisão temporária foi solicitado pelos delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que investigam o caso desde 16 de abril.
Os delegados afirmaram que há elementos suficientes que comprovam o envolvimento dos quatros seguranças no duplo assassinato. No requerimento de nove páginas, Lessa e Andrade pedem a prisão temporária dos quatro seguranças com base na lei 7.960, de 21 de dezembro de 1989, e lei 8072, de 25 julho de 1990, que trata dos crimes hediondos. O promotor Luiz Vasconcelos acatou o pedido de prisão temporária, mas estipulou que o prazo seria de cinco dias prorrogável por mais cinco, alegando que não havia justificativa para a caracterização de crime hediondo. O juiz desconsiderou as ponderações do promotor e decretou a prisão temporária por 30 dias.
Tão logo foi decretado o pedido de prisão temporária, os delegados comunicaram o fato ao comandante da Polícia Militar de Alagoas, coronel Ronaldo dos Santos. Segundo os delegados, o coronel Ronaldo informou que desde o início da tarde tinha ordenado que os quatro Pms se recolhessem aos seus batalhões. "Por enquanto, temos a informação que eles estão detidos, mas o comandante, de posse do mandado de prisão, vai transferir os quatro para o quartel do 1º Batalhão, onde funciona a prisão militar", informou Lessa, referindo-se a prisão dos quatro seguranças de PC, que estavam na casa de praia do empresário no dia do crime.
Quando os delegados chegaram ao Fórum para pegar o mandado de prisão se depararam com os advogados José Fragoso Cavalcante e João Batista Boleado Filho, contratados pela família Farias para defender os quatro seguranças. O delegado Lessa estranhou que os advogados estivessem ali, constituídos pela família Farias, para defender os supostos assassinos de PC. Para os delegados, só falta agora descobrir quem deu os tiros em PC e Suzana. Além disso, eles querem saber quem é o mandante e para isso vão ouvir os seguranças. Antes, porém, haverá o depoimento do deputado federal Augusto Farias (PFL), que foi o último a sair e um dos primeiros a chegar na cena do crime.

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