Buritis, MG, 21 (AE) - O juiz José Antônio Maciel, do município de Arinos, em Minas Gerais , deterrminou a prisão preventiva do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra Jorge Augusto Xavier de Almeida, que está foragido, por causa do saque a um caminhão feito na quinta- feira. Assentados e sem-terra pegaram 100 sacas de adubo e cinco sacas de soja que saiam da fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os manifestantes estavam acampados em frente a fazenda desde terça-feira (16).
A ordem de prisão foi dada na sexta-feira. O promotor Alan Carrijo tomou conhecimento do saque pela televisão e solicitou ao juiz que emitisse o mandado de prisão, baseado no saque e em mais dois processos, por invasão, em que tenta enquadrar Almeida, segundo o coronel Geraldo Antônio de Oliveira
que portava o mandado.
Na saída da fazenda e a caminho de Buritis, para onde o grupo foi levado pela prefeitura, Almeida separou-se do grupo, já que os policiais que escoltavam os manifestantes não tinham conhecimento do pedido de prisão. Apesar da devolução do adubo e da soja, Almeida ainda poderá ser processado. De acordo com o coronel Oliveira, o saque é um crime público e o processo não depende de os proprietários da fazenda retirarem a queixa, feita pelo filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso. "Mas o fato de a mercadoria ter sido devolvida pode ajudá-lo", disse.
Segundo outro líder do MST, Gilmar Oliveira, o saque foi feito para forçar o governo a negociar e a decisão tomada no acampamento."Não foi uma ação premedidata", disse. Ele afirma que o grupo não tinha a intenção de promover um saque de qualquer outro produto que não fosse adubo. "Precisamos de adubo para preparar o solo, mas a idéia era pressionar", enfatizou.

mockup