Juiz decide cancelar o julgamento da chacina
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sábado, 18 de abril de 1998
Agência Folha 
O julgamento de dez dos acusados de participação na chacina de Vigário Geral (nove ex-policiais militares e um policial civil) foi cancelado ontem pela manhã, dez minutos depois de seu reinício.
A decisão foi tomada pelo juiz José Geraldo Antônio, do 2º Tribunal do Júri, depois que um dos advogados de defesa, Nélio Andrade, afirmou ter havido quebra na incomunicabilidade de uma das testemunhas que seriam ouvidas pela manhã, o tenente-coronel Valmir Alves Brum. Andrade teria ouvido uma oficial de Justiça, identificada como Marta, passando para Brum informações sobre o depoimento que o ex-informante da polícia Ivan Custódio havia prestado durante a madrugada. A oficial foi chamada pelo juiz e confirmou que havia conversado com o coronel Brum. José Geraldo Antônio decidiu então dissolver o Conselho de Sentença - o que significa cancelar tudo o que já havia sido feito desde o início do julgamento, na quarta-feira.
Ao ouvir do advogado de defesa, no início da sessão, o pedido de suspensão do depoimento de Brum sob a alegação de quebra de incomunicabilidade, os promotores Julio César Lima dos Santos e Luciano Lessa ameaçaram abandonar o julgamento.
Andrade decidiu então aceitar o depoimento do tenente-coronel, apesar da quebra de incomunicabilidade, entendendo que de outro modo haveria um retardamento que prejudicaria ainda mais o andamento do processo. Entretanto, o juiz José Geraldo Antônio, entendendo que esta situação prejudicava irremediavelmente o rumo do processo, anunciou o cancelamento do julgamento.
Nova data deverá ser marcada para o julgamento dos dez acusados de participação da chacina.
Durante a madrugada, o ex-informante da polícia Ivan Custódio afirmou que os dez acusados participaram do massacre de 1993. Durante uma hora e meia, Custódio disse que os dez réus participaram em crimes de extorsão, roubo, tráfico de drogas e homicídios, além das 21 mortes pelas quais estão sendo julgados.
A promotoria considerou o depoimento de Custódio seguro e o advogado de defesa Nélio Andrade fez referência a crimes cometidos pelo ex-informante da polícia.
O sobrevivente da chacina Jadir Inácio também prestou depoimento na madrugada de ontem e disse que a chacina teria começado por volta de zero hora do dia 30 de abril.


