Curitiba- O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu não pedir a prorrogação da prisão do juiz federal Jail Benites de Azambuja, detido no último sábado em Umuarama sob suspeita de ter cometido um atentado contra outro juiz federal. Com a decisão, o juiz deve ser sair hoje da sede do Centro de Operações Especiais da Polícia Civil (Cope) em Curitiba, onde está preso desde sábado. Ontem, Azambuja prestou depoimento ao TRF-4 mas, detalhes sobre suas declarações não foram revelados, uma vez que todo o processo corre em segredo de justiça.
  O juiz é alvo de duas investigações. A primeira de que ele teria forjado um atentado contra ele mesmo, em fevereiro deste ano. A segunda investigação diz respeito a um atentado cometido contra o também juiz federal Luiz Carlos Canalli. A casa e o carro de Canalli foram atingidos por vários disparos no último dia 19 de setembro, ninguém ficou ferido no episódio.
  O jardineiro e motorista do juiz Jail Azambuja, Adriano Roberto Vieira, que foi preso na mesma ocasião pela Polícia Federal, assumiu em depoimento que teria atirado contra a casa de Canalli e alegou que agiu por vontade própria, isentando o juiz Azambuja de qualquer culpa. O advogado de Adriano, Antônio Mossurunga Moraes, disse que seu cliente afirmou à polícia que estava bêbado e teria realizado os disparos na tentativa de agradar o patrão.
  De acordo com Mossurunga, os seguranças da boate Stone confirmaram que seu cliente teria saído de lá por volta das cinco horas da manhã muito bêbado necessitando inclusive de ajuda para chegar ao carro. Ainda segundo o advogado, Adriano contou que estaria com um carro modelo Picasso, que pertence à mulher do juiz. A explicação para este fato seria de que ele algumas vezes ficaria com o carro, em ocasiões nas quais seria reponsável por levar os filhos do juiz à escola.
  O advogado contou também que Adriano afirmou que a arma com a qual realizou os disparos não pertence ao juiz e estaria registrada em nome de terceiros. Quanto ao revólver que Adriano portava no momento da prisão, segundo o advogado, teria sido retirado da casa de Azambuja, mas pertenceria a um empresário da cidade. A arma teria sido deixada na casa do juiz pelo irmão deste empresário, mas Mossurunga disse que não sabe qual o motivo do empréstimo. O delegado da Polícia Federal que tomou o depoimento de Adriano não foi localizado pela reportagem para confirmar as informações.

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