Juiz de Minas diz que recebeu cartas que ligam Hildebrando a traficante
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segunda-feira, 01 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 02 (AE) - O juiz da 12ª Vara Criminal de Belo Horizonte (MG), Ely Lucas de Mendonça, confirmou hoje ter recebido cartas que ligam o ex-deputado Hildebrando Paschoal com o traficante foragido Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Mendonça informou que a Polícia Federal (PF) investiga desde o mês passado as informações dadas na carta, e algumas já foram confirmadas.
As cartas foram enviadas a Mendonça para avisá-lo dos planos para assassiná-lo, por ele ter condenado Costa a 12 anos de prisão por tráfico de drogas, em Minas Gerais, em junho de 1996. Segundo informou o juiz, o autor das correspondências, que se identificou apenas como Carlinhos, afirmou que o grupo de Beira-Mar era tão poderoso que tinha a proteção de Paschoal.
As cartas foram enviadas em junho e setembro, segundo o juiz - uma delas de Natal (RN), e outra, de uma cidade do interior da Bahia, que Monteiro não quis identificar, para não atrapalhar as investigações da PF. "Os dados da Bahia estão checados e parece que são verdadeiros", adiantou o juiz da 12ª Vara Criminal de Belo Horizonte.
Monteiro só fez uma representação à PF para apurar o conteúdo das cartas depois que a segunda foi recebida, em setembro, por esta correspondência ter mais informações do que a anterior. "A primeira era muito genérica", explicou o juiz. Nas cartas, o remetente contou que tinha sido contratado para trabalhar como motorista do pistoleiro que seria encarregado de matá-lo.
Chicote queimado - De acordo com Carlinhos, por três vezes ele e o pistoleiro estiveram perto do juiz, em Belo Horizonte, mas não o atacaram por não haver segurança para a fuga. Monteiro contou que a existência de pessoas citadas na carta como envolvidas no plano para a matá-lo já foi confirmada pela polícia. "Se elas estavam ou não envolvidas, é outra história", afirmou. "Se estivéssemos brincando de chicotinho queimado, eu diria que está quente", avaliou.
Monteiro contou que passou a sofrer ameaças desde a condenação de Beira-Mar, e por isso recebe proteção da Secretaria de Segurança de Minas Gerais. "O narcotráfico em Belo Horizonte sofreu um baque grande com a condenação", explicou. O juiz afirmou que o traficante está foragido no Paraguai, e não no Brasil, como foi noticiado.
Para o juiz mineiro, o traficante pode estar querendo apresentar-se à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o narcotráfico para proteger-se de superiores. Por este raciocínio, Beira-Mar teria ficado perigoso, por causa de sua notoriedade, e precisaria ser eliminado. Monteiro afirmou que, pela lei, o traficante não pode mais receber redução de sentença por crimes pelos quais ele já foi condenado.
Benefício - Os criminosos só podem receber este benefício em delitos que ainda não foram julgados, e ainda assim
se forem primários ou de boa reputação. O traficante não se encaixa nestes casos, lembrou o juiz. Monteiro avisou que Beira-Mar pode estar querendo depôr na CPI para "minar a credibilidade da segurança pública", ao denunciar casos de corrupção policial.


